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6/17/2004

A casa

Tenho flores brancas na mesa ,quase mortas, talvez mesmo mortas, e não lhes sei o nome. Não gosto de flores ou vasos em casa, da sua mudez testemunhal, das sombras a ganharem as paredes.
Mas o que mais me inquieta na casa são porventura as janelas que me ausentam, me exteriorizam, e onde ,por vezes, sem contar , se antecipa o meu rosto à paisagem.
Solução.
A casa girando na pele, na saliva.
A casa onde entro e deito, onde quase esqueço .Abotoei –me esta casa como uma árvore caindo na sua seiva .E também as sombras que por mim passam ,lentas, prematuras.
Soluço. Talvez arrepio .
Sou o estado da casa, o cheiro de quem já a cruzou , de quem nela se sentou , caiu. Sou eu o silêncio da casa e sua maneira enviesada de se abrir e esconder. Quem por ela passa pisa-me.
Dos meus olhos crescem as paredes a sustentar a casa.O seu susto .Fixidez. Permanência.O que de mim não parte, não se ausenta .Cheiro.
Tão surda como a tua voz onde não soluça o meu nome.
Não sei onde se esconde tanto vazio,se na cama onde não mais te deitarás ou nos olhos gastos de de te chamar.
Pó.
Corpo inquieto ,arrastando poros, desejos.O que queima ,o que resulta? Há bonecas de olhos fundos ,antigas como a infância que não mais se recorda, bonecas irreais e muito mais vivas que eu, mas nesse quarto eu já não entro.
Som.
Tenho passos cheios de ossos e os ossos fogem ao caminho.
Dentro da casa tudo é longe e ausente e exterior. Dentro da casa apenas a casa dentro de nós.
Quem terá trancado tantos rostos nas fotografias? Fotografias repetidas, rostos ,os mesmos rostos e eu neles, acontecendo .mas não sobram mais rostos nos espelhos e há tantos pela casa.
Espelhos de vazio , ou só sombra, ou só silêncio ,ou o meu rosto apagando-se.
Assim eu me esvazio ,osso depois de osso .
Fechem as janelas que estou dentro do que sou .