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8/02/2004

Por Que Não Também para Sophia e e Pintasilgo?

O decretar pelo Governo de luto nacional pela morte de Carlos Paredes causa perplexidade. Não porque Carlos Paredes não seja uma personalidade digna de tal distinção. É claro que é. A sua obra e o seu génio engrandeceram e enriqueceram o país e, por isso, deve ser distinguido na morte como o devia ter sido em vida.

A questão é outra. Por que razão não foi decretado luto nacional quando da morte de Sophia de Mello Breyner Andresen e de Maria e Lourdes Pintasilgo? Porque em causa estão duas mulheres? Quais os critérios que o protocolo de Estado e o Ministério dos Negócios Estrangeiros usam para decidir sobre quem é susceptível de tal homenagem? O Presidente da República não tinha obrigação de estar atento?

No caso de Sophia, o anterior Governo ainda advogou com a desculpa inqualificável de que o acontecimento coincidia com a final do Campeonato Europeu de futebol, logo as bandeiras não podiam estar a meia haste. Triste país que privilegia uma final de futebol à distinção de um dos maiores vultos da sua cultura no século XX. Pobre país que elege como desígnio nacional a vitória numa final de futebol e ignora uma cidadã ímpar, que inscreveu o seu nome na construção da democracia como deputada à Assembleia Constituinte e nunca se demitiu de lutar pelo interesse de Portugal e dos portugueses. Ignorante país que opta por berrar num estádio de futebol e não atenta na obra invulgar de uma poeta que glorificou de forma única a cultura e a língua portuguesa.

No caso de Maria de Lourdes Pintasilgo nem sequer houve uma desculpa esfarrapada para apresentar pelo Governo. Aquela que foi uma das personalidades políticas portuguesas que mais longe ascendeu no plano internacional foi ignorada no seu país tanto em vida como na sua morte.

Maria de Lourdes Pintasilgo foi a única primeira-ministra em Portugal e uma das primeiras mulheres a chefiar um governo em todo o mundo. Maria de Lourdes Pintasilgo foi a voz sábia e independente ouvida e considerada nos fóruns internacionais que de facto contam para as decisões dos que mandam no mundo, quer na ONU, quer noutros organismos e instituições mundiais. Maria de Lourdes Pintasilgo foi uma das figuras que a nível internacional - e de forma pioneira em Portugal - lutou pela paridade, pela igualdade e pela dignidade da mulher, enquanto factor determinante para a qualidade da democracia e para a persecução dos direitos humanos. Maria de Lourdes Pintasilgo foi a personalidade que se distinguiu por produzir obra, por estudar e avançar soluções para a conquista de um desenvolvimento sustentável, para o combate à pobreza e à exclusão, pela dignificação do ser humano, pela justiça social a nível mundial.

Mas foi sempre olhada com arrogância parola no país que não risca uma vírgula para as reais decisões de política internacional, e que apenas fica na fotografia porque empresta uma base militar para a realização de uma cimeira de guerra. O país que ficou embasbacado, grávido de orgulho nacional, empanturrado de brios patrióticos, porque um primeiro-ministro abandona funções a meio do seu mandato para ir presidir à Comissão Europeia.

Mesquinho país onde a ignorância atrevida é compensada com comendas e benesses e o conluio negocista e caciqueiro impera, e que ignorou duas mulheres cuja dimensão humana é maior, muito maior que as suas apertadas e ridículas fronteiras.

SÃO JOSÉ ALMEIDA
Domingo, 25 de Julho de 2004
no jornal O Público