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4/29/2004

preparando uma incerta volta.em processo.descaminhando o obvio obtuso e esperando.

4/23/2004

sem título e breve

ontem (mas em que tempo do sonho?) sonhei com um enorme círculo de palhaços, todos de mãos dadas, que caminhava para o cimo de uma montanha. (foi mesmo sonho e não estou a confundir com uma das mais bonitas homenagens feitas à um cineasta.)
mero apontamento ou Mann com dois N s


os poemas de Ingeborg Bachmann
as canções de Aimee Mann
o carrinho Bachmann 62

Tudo é uma ilusão

Bondar: No hay banda! There is no band. It is all an illusion...

Mulholland Drive de David Lynch

Malina de Werner Schroeter

4/18/2004

prozac

de última hora:

the end has no end , strokes
fast as you can , fiona apple
cafés e cabeleireiros

o estabelecimento comercial mais repetido por metro quadrado em portugal , como todos sabem , é o café.em s.paulo são os cabeleireiros e os centros de estética.
drogaria


foi o local de comércio que mais gostei .uma drogaria é uma farmácia com medicamentos , cosméticos e oferta de estacionamento dianteiro.
o mais agradável é que alguns remédios estão distribuídos pelas prateleiras , à distância de apenas alguns centímetros.as minhas pupilas dilataram de emoção .a minha alma farmacêutica pululou de lusitano contentamento.
em algumas é também possível encontrar livros de bolso com títulos que incluem madame bovary ou poesia de fernando pessoa.
definitivamente , o meu local de compras.comprimidos e poesia, o que mais uma moça precisa?
genéricos

s.paulo.centro da cidade há umas galerias , um shoppping na verdade , já antigo , escadas rolantes entre o sujo e o avariado .quatro pisos de minúsculas lojas .cds e mais cds e mais cds.preços baratíssimos para os usuários de euros.
a descoberta mais hilariante foi perceber que os cds piratas são denominados genéricos.
e na rua , um vendedor ambulante apregoava :
salve a pátria ,amigo , compre cd genérico !
língua portuguesa , ora pois


no brasil , a frase mais repetida para imitar a lusitanidade da língua portuguesa é ora pois.pergunto -me eu quantas vezes na vida terei usado eu esta expressão...ou quantas a terei eu ouvido ...
descubro também um livro que trata de dicionarizar palavras e expressões idiomáticas do português europeu .o título ésefaixfavoire ( registo o título incompletamente graças a uma overdose de sono ) e, apesar de algumas observações erróneas , mantém , no geral,um tom de brasílica e amena cavaqueira.é de lamentar que algumas expressões de uso « sulista» sejam entendidas como nacionais.
mas , de facto , quando um brasileiro fala de portugal refere-se quase unicamente a lisboa.é natural, quantos portugueses pensarão em brasil além do rio ou das praias nordestinas?
curioso reparar que para nos imitarem , recorram à ditongação .assim : amor torna-se amoire.falar torna-se falaire.e por aí vai .eu pergunto e repito as duas formas ,insistindo na pergunta : realmente soa assim?mas é claro , respondem-me.
ora pois , fico eu a matutar .
jet leg


ainda no fuso de s.paulo , quatro horas de débito sonolento , mais os efeitos pernicioso-surrealistas dos tamancos aéros portugueses ( vulgo tap, por terras dos brasis) eis-me de regresso .até já.

4/16/2004

Confesso: eu roubei.


©Manuel Rodríguez


daqui das torneiras envio uma aviãozinho para a janela indiscreta. vai chegar aí pela porta do Edward Hopper. mais cerejeiras, mais cerejeiras! :)
citações em filmes. as favoritas. 1.

Pat: "Between grief and nothing, I'll take grief." (William Faulkner)

em À bout de souffle de Jean-Luc Godard

4/14/2004

O jogo do bicho

vê lá onde jogas, ale, passa antes pelo palpitometro. joga, joga, porque vais precisar para isto.

(A escritora Lygia Fagundes Telles, que lançará a Antologia Meus Contos Preferidos, pela Rocco, participará de uma mesa-redonda no salão com os escritores Cristovão Tezza, Luzilá Gonçalves Ferreira e Silviano Santiago, debatendo os rumos que o romance brasileiro toma neste novo milênio. No dia 24, às 15h, no estande da Rocco, a autora estará autografando sua obra de 31 contos. ALE, Não esqueças de mim!!!É a Lygia!!! Volta mais tarde, Vai lá ver...! )

claude monet, a japonesa

Jojó Conta

Ale enganou-se redondamente, ao pensar que ficaria em solo português a sua personagem mais querida, jojó. jojó meteu-se na sua mala, dentro de um dos cadernos, sem ela saber, claro, e lá foi também, sofrer as doze horas on air e não só. ele próprio escreveria o que ela não ousa escrever: as minhas aventuras em São, São Paulo. e começaria por contar como Ale foi perseguida na avenida de Copacabana e logo depois multada por não dar sinais de um andar macio, depois de um quarteirão. "você viu como ela anda?"-dizia o guarda, mesmo à frente de um casal de beijos e cerveja, que jogavam ao bicho, no café "Bom dia!". A coisa foi feia, mas jojó não quis acrescentar muito mais. Pior, pior, foi mesmo no bairro nipônico do Sampa, quando Ale quis comprar, não só 3 , mas sim 7 leques diferentes e e. Jojó contará tudo.

4/12/2004

ainda em s.paulo , primeiro de um post tropical

hesito.olho o teclado e reflicto na decis

4/08/2004

até


Paul Klee, Veleiros, 1927.
faz do nada o verbo

nadar nadar nadar nadar nadar nadar nadar nadar

Íntima Fracção

Parabéns!
Há Lambchop na Janela , que bom!
Estar Ser

há instantes, a caminho de, vejo, ao pé dos homens beckettianos que riem (riem de quê?) na cordoaria, uma mulher sentada num banco do jardim. uma mulher que simplesmente estava lá porque havia sol, concluo eu. somente de olhos fechados, com o sol no rosto. assim. é bom ver que há pessoas que gostam de estar sendo. gostam de estar e procuram estar.
Ligações Perigosas

Quais são as relações que há entre um corte de cabelo e um bife?

Lá Fora

Quanto ao belo filme do Fernando Lopes "Lá fora", começo por dizer: " Não o percam!"
T-shirts

Gostei muito das t-shirts terapêuticas da Alexandra. Eu pensei noutras t-shirts, com versos de poemas ou com frases de letras de cantores rock.

T-shirt Lou Reed

À frente: it´s just a perfect day
costas: i don´t blow today

4/06/2004

aos senhores utentes

até dia 19 estarei ausente por bandas paulistanas.qualquer assunto poderá ser remetido ao cuidado de jojó , em funções de secretário durante a minha ausência.até !

4/05/2004

lá fora


uma frase para o meu caderno de frases inesquecíveis ditas por personagens femininas:

_ e agora? agora vou calçar os sapatos e tentar não morrer .


adorei o filme.podia até falar mais , mas não posso .pedimos esse favor à nébia.

4/04/2004

sombras sobre sombras

esta é a carta discursiva e inexacta
que não te entregarei
e por isso a esqueço no pulmão aberto do papel.

esta noite aconteceu-me o pulsar de um animal ferido
atravessando a casa , mas façamos disso
pretexto para o que somos, eu e tu : um punhado de dores
e muita esperança.
que palavras dar ,amigo, às horas e aos dias emaranhando-se no peito ?
que palavras escolher entre o cansaço e o sublime
perseguido tijolo a tijolo ?
os ossos devoram o que de nós sobra
vai-se ao cinema e choramos com cenas logo esquecidas
e assim se vão acumulando inúteis metafísicas,
da catástrofe à catarse afinam-se três dedos no coração.
a nossa estranha labuta consiste na aproximação circular aos absurdos ,
a esses em que diariamente cremos porque nem tudo é medo
e sobretudo a todos os outros que sabemos serem mentira.

todos os dias percorremos a distância de um maior contentamento
e fica-nos algo de derrota
como uma chuva persistente .
mas não importa se nos restar um rosto para amar
logo pela manhã
e braços onde o silêncio cosa o céu aos olhos mais vazios .

o que não é repetição são olhos, são retinas, são pálpebras e pupilas cansando-se
das horas brevíssimas e das paisagens
onde deixou de caber a boca do espanto.
aos poucos
a dor começou a confundir-se com tudo que é visível.

há não muitos anos havia uma outra duração do mundo
outra incerteza das coisas,
o tempo em que todos os rostos voltavam .

nunca te disse ,
mas foi na descoberta da morte que o teu abraço me salvou .

hoje os passos deitam sombras no que em nós persiste
e talvez sejam
sombras sobre sombras
a nossa mais palpável matéria .
seguimos ou permanecemos , tanto faz ,
não há fugas sem deuses nem orações.
atrevo-me apenas a ciciar estas palavras
para completares no teu peito :
adormece devagar ,
muito devagar
e esquece comigo
os nomes que farão a nossa morte.


aos meus amigos que me encontram e dão a mão

ao longo dos anos a identidade começa a parecer menos volátil.encontro-me em cartas que os amigos guardam,em histórias que guardam,em complexos sistemas que de mim fazem.
às vezes essa identidade está alheada,resgatada pelo sorriso certeiro que adivinho no rosto de um amigo, ou pelo abraço que me salva da terra.
deve ser isso.os outros é que nos fazem,como o nosso rosto só existe quando o vemos num espelho , ou alguém nos olha.talvez haja alguém que nos olhe sempre , sem sabermos , só para que o nosso rosto exista.
sei que existi melhor,sempre que um amigo se demorou no meu rosto.não sei rezar mas faço do nome dos que amo a minha mais próxima oração.lídia.marisa.susana.sofia.sónia.francisco.karine.isabel.ricardo.joana.
casa

a casa está agreste com suas paredes cheias de olhos e músculos.
só o silêncio aqui acontece.um silêncio que bate nos olhos,dizendo os nomes que partiram.
esta casa aconteceu-me como um útero indesejado e nem das janelas se avista o próximo dia.

4/03/2004



all blues


plant me a garden of sun
sing me a vision of you
i need a way to get over
ennui and boredom and blues
i guess i missed out on the spring
on good times and riches and bliss
the world is now filled with the rubble
of echoes of calling for this
i need you to bring me to good things
i'll even get down on my knees
i hear every year there's a spring time
make me one with he birds and the bees
please

Timesbold
( de Eye Eye)


The Lady From Shangai de Orson Welles.
Cinemateca 7
(ou os filmes que adoro e que não posso falar, só deixar título mesmo.)

O olhar de Ulisses de Theo Angelopoulos
Johnny Guitar de Nicholas Ray
Ladri di Biciclette de Vittorio De Sica
Rocco e i suoi fratelli de Luchino Visconti
Rebecca de Alfred Hitchcock
Le Procès de Orson Welles
The Sheltering the Sky de Bernard Bertolluci
poema que nos acompanhou pelo dia


e.e.cummings



nalgum lugar em que eu nunca estive,alegremente além
de qualquer experiência,teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente)a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre;só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas

(tradução: Augusto de Campos)
madrugada

o céu próximo
do coração terrestre
e três cães feridos.
abril


instante da flor
no sono
do teu corpo.
Alvaro Salvador

NOCTURNO DE NUEVA INGLATERRA

Toda una historia, un alma se te muestran
Ahí, y las piensas hermosas,
Hechas de recatada confianza en lo sabido,
De respeto sin miedo en lo ignorado,
Viendo tratar así los pobre muertos
que recuerdo impotente son tan sólo.


(Luis Cernuda)


Oigo el rumor del viento restregarse
contra los abedules y los arces,
en esta noche oscura, desolada,
noche de insomnio lejos de mi tierra.

Ha nevado de nuevo y habrá nieve
mañana. Siempre hay nieve dormida
sobre otra nieve muerta en primavera,
en esta primavera de otro mundo.

El viento arrastra ruidos del pasado,
melancólicas voces que no atiendo
como ayer atendí. Me inunda en cambio
un dulce olor a rama de canela
y a madera de arce perfumada.

Bajo los álamos que escoltan mi ventana
hay nieve, sí, pero también memoria,
memoria que es desvelo de los vivos:
el cementerio extiende sus leyendas
desde mi casa hasta la barranquera.

Mañana, cuando la noche ya no esté,
no sea la noche oscura ni temida,
ascenderé la cuesta del silencio
entre las tumbas frías y serenas.

Inmóviles, debajo de la nieve,
más allá de las noches y los días,
las tumbas nos señalan lo que somos
el futuro de nuestra condición.

Esta noche, el viento cerca inquieto
mi ventana, mi insomnio, mi esperanza,
como lobo estepario de un destino
que me aguarda en el bosque más profundo.

Pero yo no le temo. Nada puede
temer quien nada tiene, quien nada
espera tener, apenas tiempo:
calor en los inviernos impacientes,
en los cortos veranos, sólo sombra.

Y la digna memoria
que esta noche presiento
bajo nieve dormida,
sobre otra nieve eterna.




actos falhados


encontro nos meus papéis dezenas de cartas que não enviei .escritas do princípio ao fim, com despedidas , doudices tais e tantas...o que as terá feito permanecer comigo?
e tenho saudades de cartas...
nebia super pop

é , companheiros , nébia tem compromissos super-pop.de qualquer modo , ela já está a chegar !ela preferiria o rock ,mas ...
arqueologia


num caderno preto antigo leio estas palavras inquientantes.e passo-me a citar :

hoje enlouqueci um bocadinho mais.talvez mais do que o costume.a vizinha beata veio bater à porta e benzeu-se o que dever ser mais um sinal .
acho que os meus pés também cresceram.calcei todos os sapatos que tinha em casa e todos me apertavam.será que o estar mais louco faz crescer os pés?


( maio de 2001)


reconfortou-me saber que o processo continua .olé!
is heaven just for idiots, dear ?
nick cave
como toda a gente sabe , sábado é dia de testes!

e esta é a razão porque sou crente !só podia ser a música de sempre da minha eterna adolescência.só podia .




take the which pearl jam song are you? quiz, a product of the pearljammers community.




p.s gracias a janela indiscreta pela sugestão !
sustentável

há um espelho dentro da página , mas nenhum rosto o encontra.

sábado


_olá , estás boa?
_estou .
_posso fazer uma pergunta?
_claro .
_hoje está sol ?
_está , porquê?
_queria saber se podia ou não abrir as janelas.
diário de uma neurótica sentimental


as verduras dos vasos aqui de casa ainda sobrevivem, a custo, moribundas , mas sobreviventes.
perfeita metáfora o meu mundo vegetal .
mas hoje, abrindo as janelas ,apeteceu-me atirá-las varanda abaixo , só para as ensaiar de pássaro vegetal .
o meu cartesianismo prudente impediu-me de tal , mas a imagem pulula-me ainda pela mente e pelas retinas.
objectos que não quero ser na próxima encarnação

gosto de coisas.sim , isso mesmo,de coisas.tenho com as coisas -objectos relações deveras complexas.
o que faz todo o sentido .nunca tivemos à diposição uma tal saturação de objectos com os quais nosso corpo e identidade se relacionasse tanto .desde o biface ao controlo remoto a relação do ser humano com o mundo complexificou-se e distanciou-se através de intermediários, de coisas-objectos.
mas hoje lembrei-me que detesto estes objectos _coisas.

cabides
telefones
clips
fichas triplas
molas da roupa ( de longe os mais repelentes)
uma frase que não apontei


era do cioran:falava da música de brahms e tenho a certeza que precisava dela nele instante.mas não a tenho ,perdi-a .saltou-me da memória.
os serviçps memorialísticos têm serviço de ajustamento automático e ,a maior das vezes , fazem asneira.
nada a declarar

dia branco.horas mortas.a casa cansando-se de mim.

4/02/2004

decisões históricas


aprender romeno , pois descobri que usa cedilhas na letra T .

4/01/2004


Limite de Mário Peixoto

posso fazer a listinha de filmes, ale?
Só são 57698576 filmes. tu sabes que não exagero. (eheh)
Recado

não deixo recados aqui para os carteiros nem eles ficam em casa.
podem ser somente posts virados para si mesmos.
quando há para, é para.
na senda das invenções II

há certas almas que deviam trazer uma lupa tridimensional, por isso toca a inventar uma.
mais um acidente da urbanidade, mas mais do que isso

por vezes não conseguimos evitar olhar um rosto .como se algo de invisível nos forçasse a tal .e a maior parte das vezes tal é recíproco.
aconteceu-me isso hoje , no comboio.uma rapariga da mesma idade que eu , aparentemente,sentu-se à minha frente e cruzámos o olhar várias vezes, para mútuo embaraço.
entretanto acabo por me embrenhar na leitura e quando volto a por os olhos naquele rosto apercebo-me que ela está prestes a chorar .noto os mesmos sinais que uso .olhar fixamente a paisagem , num ponto morto, e pestanejar mais que o necessário para suster lágrimas indevidas.
e senti muita pena de não saber o seu nome nem lhe estender o livro que já não lia .
na senda das invenções

queria uma guilhotina, com tendências poéticas, de palavras, de frases, de parágrafos para os romances gulosos....
não gosto

o dia da poesia ( eu não gosto de dias de , mas enfim...) coincide com a entrada oficial da primavera e com do dia da árvore.
eu achava muito mais interessante coincidir com o dia das mentiras.
aliás , o que faz falta é o dia da mentira.assim , número singular , para ser verdadeiramente imperial , como é à mentira merecido .
o dia das mentiras a querer dizer verdades


ou não começou abril a confirmar o ditado meteorológico « abril , águas mil » ?que decepção , logo os ditados meteorológicos,exactamente os que jamais se confirmam...
avistamento do dia( e juro que não foi surrealismo )


em criança eu e o meu avô partilhávamos a procura dos primeiros indícios de andorinhas.recordação feliz , que me faz , até hoje , sorrir de ouvi-las ao longo da primavera e do verão , apesar da minha vergonhosa fobia de pássaros.

aveiro,céu cinzento,18:12 : duas andorinhas cruzam o céu a desafiar a chuva e o frio .as primeiras deste ano.


( em criança eu e o meu avô partilhávamos a procura dos primeiros indícios de andorinhas.recordação feliz , que me faz , até hoje , sorrir ouvindo-as gritar o azul ao longo da primavera e do verão , apesar da minha vergonhosa fobia de pássaros.)
invenções que não foram inventadas


era preciso um banco de personalidades.uma reserva.
assim que começassem os primeiros laivos de identidade , depositavamos o seu código psíquico num cofre-forte ,ou na caixa geral de depósitos.assim evitavam-se complicados distúrbios de personalidade,acabava-se com tentativas reles de clonagem de personalidade e, sobretudo , com metade das crises existenciais e metafísicas .
quando o sujeito se sentisse caído a interrogar-se « quem sou eu » , « para onde vou» , « ai jesus , que eu não me conheço » era só ir ao banco de personalidade , digitar o pin e taram : descrição completa de personalidade.tão tranquilizante e fácil como saber o saldo bancário.
afinal é tudo uma questão de riqueza pessoal , não?
Visões

no início da manhã, vi um homem sem chapéu que atravessava a cidade num fósforo e jogava gestos para todos os lados.
no meio da manhã, vi um homem com chapéu que flanava pela cidade e tinha gestos lentíssimos.
ao fim da manhã, vi um homem que caminhava devagar para ter tempo para reter os rostos.
[...]
- A baronesa, vê tu, deixou aqui o romance que anda a ler. Ficou todo molhado do chuveiro de rega...Olha para isto...
-Como é que se chama?- indaga o outro, sem excesso de interesse, parece perguntar por perguntar.
- O Apicultor e o Bidão de Mel, raio de título. É dum desses autores portugueses que andam para aí, nabóides a escrever. Estive a folhear. Um atraso de vida. Perdas de tempo, deambulações, opiniões, descrições, filosofias, desarrumação...um bocejo, pá. Eu, cá para mim, um livro deve apressar-se para o evento, começar logo a meio da coisa e eliminar os desvios e a imaginações que só servem para encher. Um homem com pescoço de cavalo, por exemplo.
Sonhos de doente, estás tu a ver?
- Ai o gajo meteu um homem com pescoço de cavalo?
-Não exageremos. Isto era eu a pensar...
O Coronel Lencastre também manifestará opiniões sobre romances. Depois [...] "

Mário de Carvalho, Fantasia para dois coronéis e uma piscina, pág 15.
F for Fake



Quem são os sortudos que estão a ver neste momento numa sala de cinema o "F for Fake" do O. Welles??
Cinemateca 7
(ou os filmes que adoro e que não posso falar, só deixar título mesmo.)

À bout de Souffle de J.L. Godard
Le Charme discret de la bourgeoisie de Luis Buñuel
Il Deserto Rosso de Michelangelo Antonioni
8 1/2 de Fellini
Lágrimas e Suspiros de Ingmar Bergman
O Espelho de A. Tarkovsky
The Ghost and Mrs. Muir de Joseph L. Mankiewicz