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1/28/2004

as torneiras já deram o seu pingo oficial
amanhã comemora-se o dia oficial da incontinência urinária !

1/27/2004

fim de noite

( para r. , mais uma historinha)

sopra -me na boca
a palavra que tiveres
mais perto do céu
e faz-me dizer
o fruto que queres abrir .

ou então
apaga as luzes
e risca no meu peito
o fósforo do dia mais longe.

mas esquece as sílabas vãs
desta noite ,
as estrelas do céu que não vemos
e as horas brevíssimas ,
já tão longe .

de amicitia

( para l.)

há dias em que sem mais se adensa no coração uma espécie de vocação de silêncio .
apetece confortar o corpo e a memória ao ritmo da escuta .a recriação do mundo ( ou a fuga dele ) torna-se então especialmente múltipla e dela passamos a comungar , muito estranhamente , de gestos sonâmbulos e sinais rompendo as pálpebras .
vamos riscando no coração todas as impossibilidades e nelas caímos , sofregamente , como se não tivessemos a certeza de qualquer fim.

foi isso não foi ?
o ensaio da fuga , as palavras adensando a transfiguração do que querias irrepetível , do momento em que o céu devia ter pousado nos teus ombros , pássaro cansado que não te obedeceu .
irmã , o céu não te vai tocar assim e sei que isso te vai doer pela vida .
mas deixa que te estenda estas palavras imateriais como o teu sonho para te segredar que tens nos dedos o único céu que na terra pode haver .


1/26/2004

nebia ao lidl

entusiasmada com as mais recentes promoções e ilustre frequência do gentil lidl , cujo magazine « dica da semana» recomendo vivamente , nébia resolveu calçar os seus sapatinhos de corda e correr muito até ao mui celebrado hipermercado .
novidades a qualquer instante!
sim, é isso mesmo, vou correr. vou correr muito...............
hoje (como quase sempre)


palavra palavra palavra palavra. palavra palavra palavra palavra palavra palavra palavra. palavra palavra. palavra palavra palavra palavra palavra palavra.palavra palavra palavra palavra. palavra palavra palavra palavra palavra palavra. palavra palavra. palavra palavra palavra palavra palavra.palavra palavra palavra. palavra.
bom-dia!e uma boa semana!

1/25/2004

escutando tom waits

San Diego Serenade

Never saw the morning till I stayed up all night
Never saw the sunshine till I turned out the light
Never saw my home town till I stayed away too long
I never heard the melody till I needed the song

Never saw the white line till I was leavin' you behind
Never knew I needed you till I was caught up in a bind
And I never spoke I love you till I cursed you in vain
Never felt my heart strings until I nearly went insane

Never saw the East coast until I moved to the West
I never saw the moonlight till it shone off your breast
And I never saw your heart till someone tried to steal it away
Never saw your tears till they rolled down your face

I never saw the morning till I stayed up all night
Never saw the sunshine till you turned out the light
Never saw my home town till I stayed away too long
I never heard the melody till I needed the song

Tom Waits
ufa, por acto de magia, não sei muito bem como foi isso, a minha sombra saltou fora de mim e já tenho um pensamento interruptor que desliga logo o outro, sim, esse mesmo,.., e já posso adormecer descansada, porque amanhã, direi novamente obrigado, por estar aqui, na vida.
tomorrow tomorrow

contaram-me ontem que os marinheiros, os pescadores, não levam para o mar, calendários com imagens de ilhas paradisíacas, nem agendas para marcar dias, a vida.. não sei, será?
ale, pára de citar!

já não há santa paciência para tanta citação, assim não dá. (eheh)
pronto, fui ao blog Kafka em Belo Horizonte, furtar o post da passada terça-feira, a dança no olho da onça.


João Serenus é quem diz: "De tanto citar, de tanto citar isto e aquilo, de lá e de cá, de cá e de algures, ele é hoje um colecionador de ruínas. Ruínas de livros, ruínas de palavras, ruínas de países e cidades".
a torre do tombo tem serviço de sms?

lembrei que o blog podia servir de uma espécie de torre de tombo,.., não sei muito bem porquê, mas pensam que o meu telemóvel é a torre do tombo, ou coisa do género, ..sms que recebi, no ano passado, quase a chegar ao mês do carnaval:

"toda a infelicidade do homem deriva de uma única coisa, o facto de ser incapaz de permanecer quieto no seu quarto. " Pascal.
Michel Serres, o marinheiro de que gosto muito ler, escreveu às tantas, em alto mar (onde a noção de tempo é outra), sob muitas nuvens(sempre curvas e não linhas serresianas) no seu Hermes quinto, o seguinte:

"Que significa amanhã? Para mim isso quer dizer que um dia a mais pesa sobre o meu passado, ou abriga o meu futuro, e que assim, por usura ou fadiga, a morte se torna mais próxima. Na ordem dos planetas, isso diz respeito a uma configuração que já se produziu e será reproduzida um número considerável de vezes"
desconfio que a ale vai precisar do que se segue, por causa de uma determinada novela, muito gostada pela marisol. (eheh) vê bem! é explicado às crianças.

"um artista, um escritor pós-moderno está na situação de filósofo: o texto que escreve, a obra que realiza não são em princípio governadas por regras já estabelecidas, e não podem ser julgadas mediante um juízo determinante, aplicando a ese texto, a essa obra, categorias conhecidas. Essas regras e estas categorias são aquilo que a obra ou o texto procura. O artista e o escritor trabalham portanto sem regras, e para estabelecer as regras daquilo que foi feito. Daí que a obra e o texto tenham as propriedades do acontecimento, daí também que cheguem demasiado tarde para o seu autor, ou, vem a dar no mesmo, que a sua preparação comece sempre demasiado cedo. Pós-moderno devia ser entendido segundo o paradoxo do futuro (pós) anterior (modo). "

Jean- François Lyotard, O Pós-Moderno explicado às crianças, Publ, Dom Quixote, pág. 26.

1/24/2004

lembras?

nessa manhã fomos
um lençol descendo
como um sopro
no avesso do peito.

e a flor que nos teus olhos
só nesse instante eu vi
fez-se a saliva das noites
que com a boca despimos



e mais um

vestida de fashion clinique e empunhando orgulhosamente um philippe sollers , anita vai ao lidl escolher espremedores de citrinos em aço inoxidável
( shhhhh)

onde está a musa? a musa transalpina? a musa d' além mar ?a musa pizza hut ? a musa do ribatejo? a musa do lidl , do jumbo e do pingo doce? onde está a musa agri-doce? onde está a musa, senhores? quem vendeu , quem aviltou a musa? quem corrompeu a musa?
façamos silêncio .é preciso voltar a escutar a musa.a musa da serra e da colina , a musa do jardim zoológico e dos aeroportos , a musa dos frigoríficos candy , a musa do bicho da fruta , a musa do camarão de moçambique , a musa dos tapetes marroquinos , a musa das almas daltónicas.
onde está a musa nossa bem -aventurada? quem ultrajou a sacralidade etérea de nossa musa?
a musa das páginas 67 e 35 .a musa das encadernações a quente e dos interruptores domésticos? onde está a nossa musa?
A ganga gasta dos jornais

se a escrita jornalística fosse uma marca de roupa, seria a Levi 's.
se não sabia , fica a saber


paula bobone confessa-se fascinada pela publicação « dica da semana» .
a famosa escritora chega mesmo a referir que « a qualidade jornalística é notável e está ao nível dos jornais diários que são vendidos » .

ao que consta, na nova grelha do recém reformulado canal dois , paula bobone dedicar-se -á a comentar as novidades surgidas na imprensa escrita .
no primeiro programa falar-se-á de « a sentinela» , essa pérola jornalística da inquirição espiritual , segundo palavras da fofíssima paula !
o paracetamol

é a menos entusiasmante das drogas farmacêuticas.
é popular .serve para tudo e mais alguma coisa .toda a gente conhece e já tomou .há sempre um por perto .é benévolo porque não prejudica a flora intestinal .o paracetamol é um sacristão .
a literatura que o acompanha é monótona e sem efeitos secundários , além de igual em todas as marcas .
e é visualmente deprimentes : quase sempre comprimidos esbranquiçados e redondos , ou seja , completamente demodés em matéria de design farmacêutico .

este é o paracetamol : popular , gentil e entediante !

um destes dias

na dois poderemos ouvir a menina fashion clinique dizer : eu hoje vou ler « a dica da semana» e passear pelo lidl de catálogo na mão !


se não sabia , fica a saber

estive gripada .
assim , além de regressar à ficção dostoievskiana, ( o meu lema é : se é para ter frio que seja em s.petersburgo) ,tomo outras medidas cautelares tais como atafulhar -me de sortido húngaro , ter poemas consoladores por perto , tindersticks de banda sonora e doses reforçadas de paracetamol ( que é um medicamento nada divertido ) passo também a ler e analisar toda a propaganda que me chega pelo correio .

tive pois o deleite de apreciar a prosa irreverente do professor matulijué que nos promete nada menos que o paraíso na terra , fiquei a par das mais esfusiantes promoções de presunto dos hipermercados vizinhos , das mais irresistíveis ofertas da selecções e da exótica viagem às rias galegas , com direito a brinde oferta.

quando já o sono me vencia deparo com uma estranha publicação de seu nome « dica da semana» .

abro com inevitável curiosidade , afinal tem o joaquim de almeida na capa .eis qual não é o meu espanto quando a seguir ao astro luso que brilha por bandas da américa reparo nas irresistíveis promoções do lidl : ele é tapetes de casa de banho , ele é caixas em plástico multiusos , tudo isto misturado com as previsões da maya!

era esta a publicação que faltava a portugal!
rebajas

na senda dos famosíssimos email da nebia aos ilustríssimos deste mundo, ( veja-se o furor que causou o email enviado a susan sontag ) atrevo-me eu agora a contactar com a embaixada de nuestros hermanos .

o meu propósito ao contactar o departamento comercial do tão estimado corte inglês é ,muito singelamente, sugerir-lhes as rebajas de personagens!
que bom seria passear de visa na mão por entre prateleiras e mais prateleiras de personagens !!!!

vejam só esta ana karenina , que baratinha !ai não ! e aquela madame bovary !txi , tantas salomés ,mas não quero ...está muito demodé a salomé ...olha uma secção com personagens da agustina , uau , estes espanhóis sabem tudo .
e esta secção de personagens inacabadas !!!!uau !isto é de coleccionador!
ai deuses do olimpo , meu visa vai fazer queda livre para a papua nova -guiné!so help me god!
o meu sábado acaba de começar com uma extra super large reforçada e megalómana dose de profiteroles .vejamos os resultados .
a qualquer momento a emissão poderá ser interrompida .
apólogos de shopping

( angustias femininas entre uma entrada no cortefiel e uma saída da body shop) )

_mas há alguma coisa em concreto que te tenha levado a ter essa suspeita ?

_é claro que sim ...uma lista delas ...primeiro ele começou a sair de casa aos sábados à tarde , dizendo-me que ia à fnac , e de facto voltava com livros de lá ( só para disfarçar , é claro ) , depois começou a mania de sair para comprar suplementos literários , as conversas estranhas ao telefone( falando cifradamente , para que eu nada entendesse, assim de autores e versos ) . seguiram-se as horas que passava comigo , mas sempre com o olhar absorto e rabiscando coisinhas num caderno vermelho .agora vê religiosamente o anita vai à cultura e passou a fumar cachimbo e a vestir-se de maneira estranha ...
só pode ser uma mulher .o afonso tem uma amante , júlia .

_ó teresa , querida , és tão inocente ...não é nada disso !

_não??

_é muito pior...

_mas , o que pode então ser ?

_querida , o afonso virou poeta !
O Inimigo Público errou

Já veio à baila a origem reminescente da frase inteligente que fecha o leque televesivo do magazine cultural. Anabela Mota Ribeiro, certamente, em entrevista, dirá que se lembrou de dizer que "eu hoje vou..", enquanto ouvia o António Variações e assim quis fazer um cantiga de roda "É para hoje".
Há dias, falando com um amiga (que gosta de comer suspiros quando vê filmes de buñuel. é verdade, porque é que o cineclube lembrou se de passar um ciclo mexicano?? caramba, eu quero antes os filmes do buñuel, please..) sobre a estratégia brilhante que o Rio teve para contornar uma margem barulhenta e de se fechar no gabinete a comer os seus triângulos de pizza, com três ingredientes populares, fiquei a saber que ele tem um jardineiro novo..
O meu espanto é quando eu vejo ontem, na baixa, na Praça de Liberdade, um triângulo de tulipas, a sério. por instantes, pensei que estava na Holanda.
enquanto esperava o comboio para sair desta cidade cinzenta, ocorreu-me pensar, filosoficamente, enquanto lia, mesmo à minha frente, as parangonas do jornal de notícias da tabacaria "Pessoa", (chatice ,quando acontecem dois pensamentos ao mesmo tempo...)que a vida é mesmo como andar de balão..há quem leve mais pesos, à volta de si, e não possa voar tão alto..(e esta frase é tão fácil de se fazer como de desfazer.)

i would prefer not to

o escritor, não conhecido do continente europeu, e que se encontra no "queen mary 2" e, como é sabido, tem um blog. aos poucos, está a escrever tiras de palavras para o seu livro "bartbley à espera de godot", como fossem os restos de sol que as gelosias das janelas do navio abandonassem no chão.

1/21/2004

será este o azul que pus no meu coração?



só pode ser o azul yves klein ...
nos últimos dias tentei , por virtude de muito olhar , beber do azul que o céu tem feito .hoje de manhá quando abri o coração , vi-o azul .deste azul .
a invenção da despedida

guardei de ti essa última imagem ,
quando com palavras apertávamos gestos que não ousaríamos .
podia ter sido a mão fugindo do bolso
ou uma espécie de luz caindo sobre os olhos ,
interrompendo a nossa certeza do momentâneo .

mas não nos bastaram as tantas ilusões que havíamos rasgado
e ficou um discurso que já nem lembro .
havia muito ruído e os teus cabelos estavam apanhados ,
isso eu lembro
mas não das palavras .
tudo o que poderíamos ter dito era insuficiente
depois da demasia do que tínhamos querido .

eras a mais lenta palavra quando atravessaste a rua
o sol fazendo o caminho entre os teus passos ,
mas que importava a iluminação da tua passagem?
o mundo tornava-se abstracto
e na minha boca ,dessa palavra lenta,
vi a manhã que já morria .

1/19/2004



© Edouart Boubat
manhãs

vou corrrer muito .talvez eu ainda agarre a manhã que já finda.disseram-me da cor do mar nesta manhã de janeiro , mas talvez fosse só sonho .
um dia quero acordar com o sabor do mar dentro dos olhos .vou correr...

1/18/2004

e agora preciso de um desentupidor de pensamentos- relâmpagos-meteoros que aparecem à noite predominamente, porque o meu jazz está mesmo no seu volume baixo e os meus motivos meteorológicos ainda teimam...volto quando resolver certos soluços. ah não me esqueci que ,há muito, não falo do johnny, do meu cão witt, do que se passa no nosso quintaliinho literário, e e e e e e e e
a minha cabeça ainda está em total trânsito. houve, há pouco, um total engarrafamento de pensamentos num cruzamento mental. e agora não vou pelo túnel...o que vale é que a noite está perto, já a sinto na pele. a noite é a minha auto-estrada.
aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
(ai, peço desculpas ,tive agora um brainstorming de letras)
extra - extra



rick acaba de receber um chamado urgente oriundo da cidade do porto .as personagens de agustina estão a organizar uma mega -rave.a autora diz não suportar semelhante tortura auditiva .

mais uma missão para o nosso super -herói das barbatanas amarelas .já sabem , onde estiver um autor em perigo estará o nosso flah rick !

1/17/2004

poética (em estado jazzístico)

um poema como uma mulher que espera, diante do espelho, a entrada em cena. um poema como um gole de vinho, bebido no escuro. um poema como um tango argentino em movimento. um poema como um animal latejando ferido. um poema como um azul irreversível. um poema como uma bola de cristal partida. um poema como a alma que responde e não pergunta pela alma. um poema como uma clareira parada. um poema como um salto da sombra de um homem. um poema como um poente do sol como um ponto de interrogação dentro do poente. um poema como um passo em frente. um poema como uns passos a cheirar a música. um poema como um corpo que não tem fim. um poema como uma roda viva no deserto. um poema como um terraço acolá ainda.


a tragédia será só um círculo à volta do corpo?

" Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente onda. Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti. Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino
frágil, fiquei sem poder chorar, quando caí"

Cecília Meireles, Epigrama n. 08
contéudo da previsão de ontem e para amanhã

bátegas a chamar pelo ladrão do sol. vento forte de todas as quadrantes. subida de nevoeiro cerrado. temperatura máxima do céu, de cor de oceano bravo. mar encrespado a vomitar a "ode triunfal" de campos. ondas de um kilometro futurista.
e e e e

por tudo isto, nebia não pode continuar.. por motivos meteorológicos.

Robert Parke Harrisson, Windwriting


Robert Parke Harrisson, Suspension

as manhãs de ale

hoje tive uma manhã difícil .estive uns dez minutos a procurar os meus olhos .agora deu-lhes pra isso :a meio da noite fogem...
no outro dia foram os ouvidos .bingo , os meus ouvidos estão viciados em bingo .bem , na verdade é o ouvido esquerdo , o direito vai apenas para arrastar o irmão de volta .

é isso , caras amigas , é muito difífícil não se acordar inteira ...
utilidades

uma caneta para escrever no céu .os sapatos vermelhos do feiticeiro de oz.um pigmeu declamador de shakespeare.um atum animado que fale de política internacional .um vestido negro para passear a beira sena .um canguru para instrutor de natação .uma alma com piloto automático .um curso prático de alunagem .etc.etc.etc.
paul

Muito mais tarde , quando foi capaz de pensar nas coisas que lhe aconteceram , concluiria que nada era real excepto o acaso .


paul auster ,trilogia de nova iorque
marguerite

Tinha varrido a casa , tinha limpo tudo como se fosse antes do meu funneral .Estava tudo limpo de vida , isento , vazio de sinais , e depois disse para comigo : vou começar a escrever para me curar da mentira de um amor que acaba .

marguerite duras , textos secretos , p.18 quetzal
terrorismo náutico
( ou como um autor pode ser atacado pela sua não própria personagem e ser salvo por um agente especial que usa barbatanas amarelas)


embora cheia de medo lá resolvi ir até ao reduto joanense , vulgarmente denominado ilha da madeira ,apenas para tentar embarcar no mui afamado queen mary e procurar a misteriosamente desaparecida nébia .

dobrei cuidadosamente o cão witt e despejei-o dentro de uma johny walker , que é sempre um óptimo local para transportar entidades caninas.arrumei diligentemente o meu arsenal de tesouras escolares de cor vermelha e parti na hora do ocaso .
telefono à nebia , talvez ela já tenha conseguido entrar em contacto com o escritor mistério , mas nada , o telefone tocou , tocou , tocou ...tocou tanto que até ficou com faringite.muito grave esta faringite telefónica .

e lá chego eu a tão graciosamente florida ilha .caminho devagar , com algum receio .todos sabemos o que acontecem a antigos vermelhuscos como moi- meme ao aventurarem-se por aquelas bandas : tudo transformado em flor do natal de plástico .

tenho sede , penso .encontro um simpático banco e lá deixo os meus ossos a repousar enquanto trago dois goles do meu johny walker .o cão witt continua adormecido no fundo da garrafa .a sua última dembulação especulativa deixou-o esgotado .afinal ,quem mais se aventuraria a intentar uma classificação exaustiva da gestualidade dos homens portugueses atrás dos balcões?

sede saciada , olho em volta e eis que avisto essa maravilha da civilização , sim , ele mesmo , o queen mary .lépida e fagueira lá vou eu .o céu está risonho e sente-se nas pessoas uma euforia agradável .


o rick disse-me para avançar destemidamente .o único perigo daquelas bandas era um homem muito gordo que se costumava despir e pôr umas roupas muito brilhantes ,passeando-se nesses trajes entre a populaça incauta .
( muito simpático o meu amigo rick .ele usa barbatanas amarelas para tocar piano e em casa dele há pigmeus que declamam shakespeare .mas essa é outra história .)

finalmente , estou eu frente ao barco .eu e aquele colosso .
onde será a campainha? -pergunto-me mentalmente .e enquanto sigo na minha inquirição , avisto muito ao longe alguém que me é estranhamente familiar .mas quem ?


( a narrativa pausa alguns segundos , para o leitor levantar sugestões relativamente à pessoa que se aproxima , ok? )


fim de pausa


sinto-me enjoada .não pode ser .é ele mesmo .jojó , o poeta rocher .mas ...mas ...que é isto ?

ele dirige-se a mim:
-chama-se ale?
-sim ,sou eu - consigo muito a custo balbuciar .
- então conheço eu a minha autora ...como é que pode? como pode inventar-me de forma tão miserável? dar-me uma madame horrível assim e inculta , com um cozinheiro pretensamente atlético de companheiro espiritual?
-calma , jojó ,no fundo eu gosto de si ...e há a marisol que também o aprecia tanto .
-é mentira .ninguém gosta de mim , só a heidi .
-calma , jojó , ´não se esqueça que tem a sua poesia .
-não .não .não posso mais , vou matar a minha autora .
-jojó , não diga disparates .você não é mais que uma personagenzeca .não tem vida própria , não pode nada que eu não queira .



( pausa : neste momento ,em especial clarividência detenho-me a pensar : como posso eu estar a falar com a minha personagem ? como pode ela estar a querer matar -me?)


mas prossigo friamente, lembrando-me do que faria o meu amigo rick numa circunstância idêntica .ah , claro , o johny walker .
-não quer beber nada jojó?
e estendo para jojó a minha garrafa de johny walker , onde tinha embrulhado o cão witt .


o nosso simpático canino semiológico há muito se apercebera do perigo , mas permanecera em silêncio , esperando a melhor altura de actuar .
assim , quando jojó aproxima o gargalo da garrafa dos seus lábios, o cão witt actua finalmente .
dissertando letalmente sobre a contemporaneidade poética ,construindo um edifício argumentantivo inabalável relativamente ao discurso poético jojoziano e suas circunstâncias pós -moderninhas , o cão witt consegue aniquilar a nossa personagem e gritar -me :
- foge , foge enquanto ele está a tentar uma décima ao macdonalds!


eu corria , corria , o queen mary ficava mais longe , mais longe , mas eu ouvia ainda a voz de jojó .as minhas forças começavam a esgotar-se quando surge do céu o meu amigo rick em barbatanas amarelas e gabardine preta salvando-me da ameaça jojó .


já suspirosa e salva nos braços de rick , pergunto :
- como soubeste que eu corria perigo?
-hummm , tossicou ele , na verdade é uma longa história ...pertenço , juntamente com a bolinha semiótica ,a uma organização não governamental que protege e acolhe autores em risco .
um dos maiores perigos são os ataques das personagens .há muito que eu achava esse tipo , o jojó , altamente suspeito .foi só uma questão de permanecer atento .
-mas , como ? há autores atacados por suas próprias personagens?
-sim , é claro que há .o meu melhor caso foi quando salvei o flaubert da fúria assassina da madame bovary .mas isso fica para outro dia.agora ,por favor , tira-me as barbatanas amarelas ...

1/12/2004

the love boat !


exciting and new...la la la la ...ops ...é o queen mary !
ah ah !muito bem nebia , posso dar o tecto de minha casa ao cão witt , mas só mesmo o tecto . isto porque desde que ele se pôs a catalogar semiologicamente os talheres de minha casa , o s.bernardo que come nuvens no beiral anda deprimido .é que aquela alma suiça é um nefelibata poeta e não alcança a agudeza crítica do teu witt
.ok , eu sei , ele não se limita a caminhar pelas nuvens ,mas também as come ...( o que me faz lembrar ...como poderei denominar a dieta do meu s.bernardo? isto é uma questão para o cão witt...) .
mas dizia eu que ele anda cabisbaixo e soturno ,muito embora o céu tenha dado óptimas nuvens nos passados dias...devem ser ciúmes.mas tudo bem ...o cão witt pode ficar no tecto .desde que o homem aranha não resolva aparecer , está tudo bem .


sobre as embarcações .onde já se viu o queen mary não ter casa de fados? impensável !de qualquer modo ouvi dizer que jojó pensa juntar-se à tripulação do queen mary .o que ele não sabe é que madame tem os mesmos propósitos , fazendo-se acompanhar do deprimido ex -pugilista tailandês vavá, agora com pretensões filosóficas.

e quem será o escritor mistério a bordo ?

intriga , romance , exotismo ...a não perder ....the loveeeeeeeeeee boat , la la la la ...ops ....enganei -me de novo ...
o que vai ser notícia, dentro de poucos dias, e vai agitar o nosso quintalinho literário, é que, no queen mary, se encontra um escritor, não conhecido, do continente europeu, grande admirador de herman melville...vai ser notícia, porque ele também tem o seu blog "...no queen mary II",...e mais não posso contar,...pronto, ..
depois de conhecimento da minha partida (nebia adeus, farewell, au revoir, auf wiedersehen, hasta siempre,...), da terra para o mar, ale quis logo demonstrar interesse e possivelmente alistar-se, como ela diz, no novo reinado da rainha mary. vou adiantando ,que depois de uma extensiva extensa investigação mais recôndita sobre o navio da queen mary, que realmente há um falha de tamanho enorme, falta a tua casa de fados. o que é um navio sem uma casa de fados??(eheh). já sei que vais pedir muitas sugestões..., fica sabendo que só lá entro, se houver vinho do porto...

pedido de ajuda

venho por este meio dar a conhecer, a excelentíssima ale, e passeantes e visitantes das torneiras inclusive, que o meu dilema não se encontra resolvido. devido a motivos de trabalho, por tempo indeterminado, mas precisamente, no navio queen mary II, que peço que dês o tecto da tua casa, ao meu cão witt que tem dentro de si um gato e não é animado. e que gosta de ficar estendido no estendal da roupa a contemplar o betão do prédio à frente (eu tinha de arranjar um frase camião , claro.adiante.).

fico a aguardar a tua intervenção, no sentido de podermos solucionar este dilema. agradecendo desde de já, atenção que vais, com certeza, dar ao assunto, apresentando os melhores cumprimentos.
o sorriso que vai para a argentina

não é que o meu último livro do henry miller, em língua francesa, vai para as mãos de um argentino, ..ainda falta tempo, na clepsidra do ebay, mas está quase lá ...bem que postal da atalanta vai desta vez, no meio do livro, tenho de ver isto...vamos lá ver o que se segue agora,..
Bom dia!, Boa tarde!, boa noite!,
dependendo do seu estado de humor ou do canto em que se encontra no mundo ou
uma letra de uma música, do chico buarque, que ouvi há pouco e que me deixou muito emocionada...

Beatriz

Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela mora no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vi_____da


Olha
Será que ela é louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vi_____da


Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu

Chico Buarque

o avesso da noite em todos os lugares do teu silêncio , é o que avisto .

podíamos ter uma desculpa ,podíamos até fazer uma mentira e sei que a encenaríamos perfeitamente ,sem saber onde nos nossos rostos ela teria lugar .
podíamos ter habitado esta noite , como todas as outras.não como todas , mas como as primeiras noites ,em que o céu era demasido perto do teu peito e eu não temia essa proximidade.
depois ,não sei porque estranha configuração do tempo ou das palavras ,tudo parecia longe ,muito distante ,como a memória do dia mais feliz da infância .
chamávamo -nos e´mesmo sem saber a razão ainda fazíamos os mesmos caminhos pela cidade ,ainda era nos mesmos lençóis que a manhã se adiava .
mas não havia mais como engolir a espera dos dias .

quando partimos não rasgámos todas as palavras , havia ainda muitas e tantas mentiras que te poderia ter contado . histórias que calaste plenas de personagens que poderiam ser eu .

gastámos a possibilidade de sermos a mútua invenção do desejo .quanto mais nos afastávamos do que éramos ,menos importância tinha a mentira .éramos já a nossa criação .
não sei quem amei mais -se a ti , se ao ser que para mim criaste.
mas esta pergunta não tem absolutamente qualquer pertinência .não agora .

está um grande silêncio a bater no meu peito .não sei quem de mim te recorda .tornámo-nos personagens e não tenho a tua deixa .

bebo devagar enquanto se adensam as sombras .gosto da pureza da noite que me deixa entregue aos cheiros e à imprecisa dembulação do espírito .no final era isso que importava ,não era? era isso o que repetíamos? o labirinto ?
foi o que fizemos .descemos e descemos e descemos até essa matéria obscura e inasaciável .fomos o que queríamos ser , tudo que não podíamos ser e ninguém poderá levantar a sua voz dizendo que isso foi a nossa usura .
tu permaneces .eu permaneço também .e afinal , que importará isso ? se queríamos ter ido até ao fim , não fomos , mas isso ninguém sabe.pressentem apenas o desafio que empreendemos e nada mais .
não saberão que não vencemos ,que não triunfámos e que nem sequer nos resta a consolação de termos ido .não .


mas que importa ? só tu e eu sabemos que fomos imperfeitos e esse é o preço que pagamos à nossa mentira .

o que sobra de tudo é pó e as palavras que desprego da memória , de quando não havia medo de ser a invenção de mim ou de ti .

1/11/2004

eating in the rain


noite .atravesso a rua com uma chuva fininha pelo rosto e a comer gelado .quase pareço um comercial publicitário .mas foi bom .aqui fica a dica .se eu fosse um programa cultural eu terminava dizendo :eu hoje vou comer um gelado à chuva !ufa!


à procura de jojó !

o nosso poeta rocher ,amargurado com os constrangimentos impostos pelo kinder delice ,resolveu deambular pelos trasnportes colectivos de passageiros da cidade do porto , os mais que sobejamente aclamados STCP !

a ocasião afigurava-se-lhe tentadora e altamente sugestiva em matéria poética,e de facto jojo andava poeticamente carente .fazia alguns dias que não escrevia e tinha sucessivos pesadelos com um escritor de meias brancas .
era meio -dia quando jojó abandonou a casa de madame.vavá ainda o tentou chamar ,fazendo alguns incompreensíveis sinais de fumo com o seu incenso nag champa.jojó estava resoluto e nada ,nem a vaquinha milka ou a própria heidi ,em luz e cor o poderiam deter .

e assim se aventurou o nosso cândido poeta pelas selváticas e dantescas ruas portuenses.havia um clima indiciador de tragédia ao qual o sensibilíssimo jojó não estava indiferente.seriam os taxistas bramnado justiça social ou as cabisbaixas senhoras, arrastando pesarosas carrinhos atulhados de variegadas espécies de produtos hortícolas?
a vossa tão humilde narradora não o saberá adiantar .mas é facto que jojó entrou no autocarro .era o famoso 78 , destino auspiciosamente anunciado para o castelo do queijo .o nosso poeta sentiu-se radiante com tão poético destino .entrou no autocarro .escolheu o lugar que lhe pareceu mais pitoresco e tirou o seu vermelhusco caderno de anotações que exibia orgulhosamente na capa uma fulgurante imagem dessa heroína alpina ,a heidi .

jojó sente-se acompanhado das castiças gentes e rodeado por tão urbano cenário ,a sua alma poética alcança os mais aguçados píncaros .a sua mente fervilha .os dedos estremecem na comoção que precede o devaneio poético .ele pensa numa ode pindárica que faça eco da transitoriedade humana adoptando o mui errante ponto de vista do condutor do 78 .ele quase começa a tomar notas quando é interrompido pela música da rádio no ultra-moderno autocarro .é a publicidade ao novo kinder delice.
jojó estremece e sente que a sua veia poética se abeira de uma quebra de tensão .a eventual ode pindárica fica esquecida num banco de autocarro dos STCP , como uma velha revista maria ,já sem uso .
ainda se eu fosse um poeta romântico - pensa jojó - eu poderia tentar um patético suicídio .quem me manda ser um pós -moderno e ex-rocher ?


desde o fatídico dia não mais jojó regressou a casa .madame está perturbadíssima e já ameaçou falar com souto moura .vavá tenta acalmá-la ,mas todas as tentativas de inalação de nag champa se revelam inúteis .
a narradora indaga: será que no fundo do coração van cleef e arpels de madame ,reside também algo como papelão ? será que o papelão de madame de facto apreciava o mordomo e poeta rocher ?


com a detectivesca e semiologíssima colaboração da bolinha semiótica , a narradora promete mais revelções em breve.

entretanto , num cinema dos idos anos 50 marisol interroga-se:

onde pára jojó ?








I

(enquanto a verdadeira autora estaciona o carro, sob uma névoa estranha, outra arranca noutro. agora o que fica é a poeira de uma estrada,...)
era um inverno a respirar o outono. naquela manhã, tudo era diferente, para ela. acordara, respirando fundo, ouvindo o riso das crianças que corriam de um lado para o outro, vestindo todos os mesmos hábitos, de todas as manhãs. no entanto, naquela manhã tudo era diferente. dessa vez, perdera, mais do que cinco minutos, do que era costume, diante do espelho (que já não tinha as famosas frases budistas em post-its. para sorrir quem mesmo?) a perscrutar, no fundo dos seus olhos, que não havia mais pensamento para, estava tudo planeado. antes ainda de abrir a porta, meteu debaixo dos olhos a paisagem inteira. o campo dos seus olhos só se estendia até um muro cinzento espesso, repleto de cartazes, de publicity, pensara, se haveria alguma palavra, algum verso, por debaixo de tantas datas, de nomes de cantores. não sabia. lá, ao fundo, os setes fios de electricidade, naquela manhã, era uma pauta em que os pássaros não davam melodia. talvez a vida fosse só um fio de electricidade. (é agora que entra a verdadeira autora, arrancando com a acção).



oooooooooooooo

estou desolada .
acabo de ler o blogue da menina .ainda entontecida por emoções várias ,não posso antes de mais partilhar da indignação da moçoila .então não é que ela mete conversa com o malcovitch e ele tem o descaramento de não lhe ligar pevas????
pode lá ser...isto não se faz ...ai ai ai ai ..eu diria mesmo que isto é um caso a ser resolvido pelas mais altas esferas diplomáticas .afinal o malcovitch ignorou nada mais nada menos que a NOSSA menina fashion clinique!

john , querido , tu que até já estiveste comigo no sofá( ver arquivos das torneiras ) essa não te posso perdoar .estou desolada !
possibilidadedosentir.blogspot.com


vou seguir a morada gentilmente cedida pela thelma....o blogue é o da menina fashion clinique.vou lá agorinha.daqui a pouco volto ,para descomentar!
a empresa "seja feliz" por causa do elevado número, no ano passado, de vendas de bonés com a tal luz matinal que renova qualquer espírito triste a roçar a depressão mais funda , vai financiar livros fundamentais sobre a história da luz na mente das pessoas, todos escritos por doente bipolares. mais pormenores, mais adiante.
o meu cão witt que tem dentro de si um gato e não é animado e gosta de ficar estendido no estendal da roupa a contemplar o betão do prédio à frente anda numa tristeza só vista. sinto nos olhos dele uma depressão a galopar de um modo assustador, só que ele tem de entender que no queen mary, não pode ir. não podes, não podes,...e parece que não lhe agrada muito ir para casa da ale, não sei, está cansadito de chopin...grande dilema o meu...

destino cruzado com a queen

eis o barquinho onde eu vou trabalhar. ninguém acredita, mas pronto, eu depois mando postal. tiro foto e tudo. o meu sexto sentido, desde do momento em que a tradicional champagne "felicity" foi quebrada contra o casco do navio, despertou se e disse me que o meu destino vai se cruzar com as aguas da queen mary II. quando eu quiser fugir, não precisarei de ir muito longe, com o mar à porta. é desta vez que a nebia fica mesmo flutuante.

....oxalá!

1/10/2004

gosto de ler o que se escreve fora da esfera portuguesa. Live in LA
( I am 25. I live in Los Angeles. My whole life is about to change) é um desses sítios.

ela explica why la:

...Throw in another ten years, a dead mother, a dead best friend, an 82 year old father who has spent more time in the hospital this year than out of it, a six year long relationship, four years in the East Village, a creative writing degree and a slew of odd jobs in publishing and you come up with me: 25 years old and living in LA.
Agora entendo porque é que ale falou em Flaubert, certamente ela leio o dicionário das ideias feitas dele, pensando em fazer outro dicionário mais útil. ou seja: o dicionário de inutilidades sobre blogs.
quem é que compra um cortador de comprimidos???!!!



há coisas que me transcendem..



O Movimento em Falso de Wim Wenders/ Peter Handke é um dos filmes que gostaria muito de rever.
E o que consta não será graças A Dois: que vou voltar a vê-lo. Enfim!


uma tentativa de leitura de uma partitura

uma amiga , há dias, contou-me por mail que vira a pianista de michael haneke. gosto muito, dizendo que achava interessante o contraste entre o sublime da musica classica , o rosto quase asseptico da mulher que depois tem aqueles arroubos tao ..tao ..., palavras dela.

vi o filme quando ele esteve em exibição. na altura, as críticas não foram lá muito positivas. ao menos, fiquei com essa ideia. michael haneke é um realizador que pretende mesmo mexer, perturbar. é frio e muito inteligente.
é uma excelente projecção. é mesmo isso uma projecção, ele vira o espelho para nós. e claro, que há quem não goste de ver o que ele quer mostrar de uma forma crua. é simplesmente assim e pronto.
conversando com uma amiga, chegamos ao ponto primeiro que se teria de partir de um ponto de vista. e para não se cair na "armadilha" dele, ter em conta esse ponto de vista.
ver do ponto de vista do homem ou da mulher?do homem, vamos dizer que ela é completamente douda. da mulher, vamos dizer que a sociedade é completamente douda. vejo do lado dela. m haneke consegui muito bem o que ele pretendia, que as pessoas odiassem o filme, pois o espelho foi virado, olhem. no fundo, para mim, ele diz que a loucura é ditada pela sociedade.
na altura, lembro-me que foi notícia de que houve desmaios em salas de cinema espanholas. é verdade que há cenas que não são fáceis de ver. mas.
o que há de mais violento no filme, não é o sado masoquismo dela,mas a rejeição dele. ele é que a viola simplesmente. não é por acaso que ele vem da alta burguesia. nota-se apercebe se que há uma ascese a que ele aspira a aceder com a grande artista e quando se depara com o oposto é um total choque.. a personagem é muito enigmática. muito mesmo. não sabemos ao certo o que se passa nela com ela, ficamos naquele ponto que será sempre de discussão.e só vem reforçar ainda mais que a profundeza da alma não se explica. há a loucura. há aquela fronteira ténue.há uma espiral na cabeça dela que não pára, há uma louucura que parte muito da intimidade, do que fica da intimidade. schubert é o autor que ela toca. ela diz que ele é feio.
sado masoquismo aliado a uma baixa de auto estima? a cena de cinema é outra ...o que ele quis mostrar , de uma forma, que o cinema era a vida...e a tv, o barulho da tv, que aparece , logo no início, não há vida,....
a frase de adorno que ela diz, num meio muito burguês, sobre a pre loucura de schubert pode ser a chave. pode ser a chave, talvez. só que essa chave roda, como ela quer.
em suma, os espíritos livres sabem como o humano tem mais faces do que a SOCIEDADE BURGUESA nos impõe todos os dias. a sociedade é que é paranóica .
um dos álbuns que lá estaria, "experience hendrix", the best of Jimi Hendrix.

All Along The Watchtower

There must be some kind of way outta here
said the joker to the thief
There's too much confusion...
I can't get no relief

Business men, they drink my wine
Plowman dig my earth
None were level on the mind
Nobody up at his word
hey, hey

No reason to get excited
The thief he kindly spoke
There are many here among us
Who feel that life is but a joke
But, uh...but you and I, we've been through that
And this is not our fate
So let us stop talkin' falsely now
The hour's getting late, hey

All along the watchtower
Princes kept the view
While all the women came and went
Barefoot servants, too
Outside in the cold distance
A wildcat did growl
Two riders were approaching
And the wind began to howl


se tivesse um café, não colocaria uma tv empoleirada, nem os jornais do dia, em cima de uma mesa. colocaria uma jukebox especial, ...
O nosso blog, realmente, não é dado à troca de galhardetes. mas, desta vez, o adjectivo "excelente" vai, de volta, para o campo muito xadrezito de umblogsobrekleist. Desde dos primeiros posts que leio, o que vai sendo lá escrito, muito bem escrito,sublinhamoss. Sorrio com o inventariar de coisas para fazer em Lisboa. Segui, atentamente, a panóplia do fetichista cinéfilo e fiquei com tanta vontade, de ver certos filmes, por causa de determinados fetiches e de rever outros. Leio, com muito interesse, o que se escreve sobre o mundo cinéfilo. É um pouco a cahiers de cinema em português, sem entrevistas.Uma entrevista imaginária, um dialógo com Godard,..não me lembro se foi, alguma vez, a grande cena de um dia klestiano.
quantas mais perguntas, mais se esvazia o espelho.
há dias, a correr de canal para canal, apanhei um bocadito de um discurso do nosso primeiro-ministro e fiquei a ouvir. algo estranho, não entendi muito bem. não sei se porque estava rodeado de desportistas e companhia, mas enquanto ele falava, balançava-se de um lado para o outro. pensei se seria algum exercício de step muito esconso para os lados? não, não , ele estava em alto mar, gingando como um barco sem destino, num mar...

1/09/2004

posto de escuta fora de mão

andei a procura, pelo blogger, e já ouvi vários audio posts. deveras interessante. no entanto, não posso ir em cantigas nem em conversas de audio, porque é necessário tilintar os euros . assim sendo,não dá. contudo tenho de investigar melhor.
não haverá blogs para os desenhadores? tenho de procurar. caso quisesse fazer um desenho deveras lindo, fabuloso, fascinante, ou seja, pollockiano, que só eu sei fazer, modéstia a parte. como é que eu faço?


a verdade é que o blog é, sem sombra de dúvida, um bom meio para experimentar linguagem. e pode ser , sem medo, um óptimo meio para rebentar com todas as possibilidades que a linguagem oferece. e não me espanto quando vejo escritores portugueses, brasileiros, norte-americanos a tirar proveito dele, fazendo dele, uma espécie de laboratório e mais do que isso, o backstage de um livro por vir.

1/08/2004

tsc , tsc


tiraram o carlos pinto coelho e puseram a menina fashion - clinic ...ok ...tá ...ele bem dizia que ia salvag a gtp .god save us !
inquietação dubitativa

se a música pudesse ter espelho isso dava um eco ?
eis !era mesmo isso que eu precisava!

ouvi dizer que há reduções especialíssimas para quem estiver com vontade de ter um eco !eu quero , eu quero !

um eco no beco
será o boneco
que ontem vi
quase concreto
a fazer de meco ?

p.s.daqui a nada tenho mesmo de sair .então não devo surtar muito mais ...



e


c


o o o o
quem?

acabo de ver o rosto mais perfeitamente nu .chamar-lhe-ei pureza ou uma espécie diferente de desespero ?
a bolinha semiótica recomenda


o cariz transgressor do discurso poético ,redundando sempre numa aporia espasmódica da alma, deve ser acompanhado de uma imprescindível dose diária de subsultação .
é isso ,caríssimos ,há que subsultar !

subsultemos !
( in) utilidades de um blogue


eu podia estar a comer um arranha- céus de gelado de chocolate com avelãs ,a contribuir para o produto interno bruto ,a ler flaubert ,quiçá até a lavar a louça ,mas em vez disso estou a poluir o mundo de letrinhas.
então é isso .viva o blogue!e todas as inutilidades que entre o céu e a terra a nossa vã filosofia não pode alcançar !

p.s. como diria alguém que não conheço : blá , blá ,blá...
declaração ao país


não gosto da palavra chuva .
concretismos

qual será a mais líquida sílaba de chuva?
Mudança de endereço




A cidade que nos vestia
rasgou-se
depois que habituei o corpo à mentira da tua distância .

Porque usávamos outros gestos ,
outros passos
e era possível
nas palavras desdobradas contra a fúria e a solidão
aprender que o mundo tinha o tamanho das tuas mãos.

Entre esse mundo e o céu
despi-me muitas vezes
mas não havia já caminho onde me perder .
Esperei os meses mais quentes e parti .
Ficaste muito só
e nem o mar serve de espelho
à tua solidão sem barcos .


És agora a voz murmurando
a noite morta no avesso do coração ,
a mesma voz que os rostos choram
mas ninguém repete.
Resto apenas eu no mundo
carregando nos olhos
a cidade que te silencia.

às vezes, o reino da luz é o reino das trevas

continuo a achar que um blog é inútil. embora eu tenha dias. talvez depois da manhã diga que um blog não é inútil. dependendo da maré. talvez com ajuda do são fourge, eu faça um audioblogue. e para cortar logo, no início, o silêncio, a guitarra de jimi hendrix que deitava fogo dos dedos dele. tavez eu arranje outro suporte ou outro meio. quando cheguei aqui em 1985, a descoberta desta rede que não finda, foi como a descoberta de um tesouro. aos poucos e , muitas vezes, rapidamente ia clicando ali e acolá, tragava palavras e imagens e deliciava-me com palavras e imagens e, na altura não apanhava muita chuva de pop-ups. agora só mesmo com um guarda-chuva com um filtro resistente, para aguentar tanto lixo.
agora que sei que a internet não faz parte de outro mundo. é só mais um instrumento para chegar. e agora que é realmente o reino do comércio, do marketing, vou continuar a vender os meus livrinhos por aqui mesmo. e a blogar doudices, sem sentido, às vezes, é verdade.

1/07/2004

.



© Edward Dimsdale
O Jardim das Oliveiras

Somos seres olhados
Ruy Belo

Se procuro o teu rosto
no meio do ruído das vozes
quem procura o teu rosto?

Quem fala obscuramente
em qualquer sítio das minhas palavras
ouvindo-se a si próprio?

Às vezes suspeito que me segues,
que não são meus os passos
atrás de mim.

O que está forá de ti, falando-te?
Este é o teu caminho,
e as minhas palavras os teus passos?

Quem me olha desse lado
e deste lado de mim?
As minhas dúvidas,até elas te pertencem?


Manuel António Pina, O Caminho de Casa.
a quarta foi e está a ser dística, a quinta será uma quadra.
lá fora, na vida, ou depois da quinta, uma quadra de ténis para jogar...e para ganhar.
o mesmo adversário D.
tragada pela noite, talvez quisesse só a melodia antipoço, o sopro de uma voz toda azul de mar, mas o pensamento rasava outra canção.
que álcool para desfolhar a memória?
depois de ver o mar apagado,

na vida, é mesmo necessário saber surfar, saber contornar as más ondas....
(ainda bem que este blog são mesmo doudices. )
a verdade quando é parangona, queria que fosse gralha.
e quando a mentira é parangona, a verdade é rodapé.
depois do inadaptado,

gosto mais dos irmãos Irons.
queria agradecer ao Franscisco por ter enviado um e-mail à nebia, com algumas frases-dicas sobre a humildade, "como ser humilde em 24 horas". a nebia está sempre a aprender, graças a deus.
o que fazer quando a paisagem dentro de nós não tem cor?
só se inventar cores, degrades. pois. não sei.
há muitos anos assaltaram -me o meu pensamento com uma pergunta que me assaltou, há dias, e que roubou espaço para outros pensamentos.
qual é a velocidade do pensamento?
se um blog é uma panelinha, então as palavras ainda continuam a pipocar.
o lume ainda está aceso.
eu é que não sei onde pára a minha caixa de fósforos.
inventar tudo. cidades. mundos. paisagens. universos. o sol que ainda não nascera. a lua que ainda não crescera. as ruas que não têm nome. e o mar que nasce todos os dias, precisa de ser inventado, reinventado, por mais antigo que ele seja.
as inquietações de jojó


se eu fosse a heidi eu teria patrocínio do chocolate milka?


( adenda:jojó anda perturbado e demasiadamente contristado ,desde que madame ,num acto de inenarrável crueldade o proibiu de ver essa glória alpina chamada as aventuras de heidi .como retaliação silenciosa ,jojó conseguiu cancelar o patrocínio do chocolate kinder delice ,responsável pelas extravagâncias económicas de madame.algo vai mal no reino do pós modernismo.mais desenvolvimentos a qualquer instante.no entanto ,pode desde já adiantar-se que a última composição poética de jojó se relaciona com os transportes colectivos de passageiros ,não pondo de parte um distanciamento hermenêutico que lhe permitirá ,naturalmente ,uma especial leitura do nosso tão estimado cão witt,agora em estreita parceria com a não menos célebre bolinha semiótica!
baixinho ,ao ouvido de ninguém em certa noite fria


quem nos vê? que rosto nos fita sem nos alcançar? quem se demora vendo-nos atravessar a paisagem?



persona

quantas almas o teu rosto ?
paisagens inúteis


da janela vejo um grupo de varredores que atravessa lentíssimo a paisagem,empurrando com solenidade seus carros .afinal eles transportam a cidade em forma de lixo .
quem no cortejo terá varrido o azul do céu que não vi hoje?
interrogatio


querer com os olhos
apertar nas mãos
a cor do céu de hoje
é um exercício poético?

1/05/2004

Regresso



A palavra poço não me apaga da paisagem
Nem do tempo que primeiro nos rimos
da estranheza do mundo .

Nesta casa em que as janelas já foram maiores
do que todo o céu que abrigavam, recordo
O avô adormecido ,livro caído no colo
E a música , o piano , sempre a mesma jarra de flores amarelas .
Ou como todos esperavam o teu riso aparecer na casa,
Repentino ,vindo da terra inexacta da felicidade .

Hoje abrindo as janelas da casa
não há nada de maior no mundo ,
O fim do espanto , penso ,
como as mãos muito nuas
que um grande amor desabitasse para sempre.

Ficou-me algo como a palidez da ausência .
É uma casa de vozes que só eu murmuro ,
De rostos a cada inverno mais demorados ,
Ou de nomes que ninguém mais chama.

Estas portas que abro , quartos onde faz tantos anos
A alma me dançava dentro das flores que nasciam ...
Não sei quem esvaziaram mais
Se a casa ou o meu coração .

É noite ,o poço está repleto das folhas das tílias
Enquanto me sento no piano ,esperando
Talvez que o teu riso antigo
interrompa a demorada desaparição de mim
E da casa .

Peço :
Fosse a dor do mundo tão fugaz
Como a casa que se fez muro
No meu peito cansado .

E fecho para dentro de mim as janelas.


1/03/2004

as minhas aventuras por terras da andaluzia


em granada é muito frequente as paredes oferecerem-nos corações desenhados .é bom cruzar a cidade , fitar os rostos e procurar indícios de mais um coração pintado numa parede de granada .
porque es nuestro el exilio
no el reino


josé angel valente ,punto cero -poesía 1953-1979,seix barral,biblioteca breve


( consumismos literários por terras andaluzas ih ih ih )
as minhas aventuras por terras da andaluzia

atravessando pueblos e mais pueblos,demandando os últimos poetas andaluzes,deparo-me com o mais interessante topónimo de terras andaluzas: conil de la frontera.yo no credo ,pero que las hay ...hay .