<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d5890420\x26blogName\x3dtorneiras+de+freud\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dBLUE\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://torneirasdefreud.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://torneirasdefreud.blogspot.com/\x26vt\x3d6977037342804099436', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

6/27/2004

if´s

1.se um fósforo de andorinhas
risca a boca
o céu acende-se na saliva.


2.se o sol se inclina atrás das pupilas
a linha do horizonte contorna
a hora onde adormece a criatura.

3.se uma tesoura dança na traqueia
os poços aquietam-se devagar dentro da terra
e esperam a noite .





DANGER!
Afastem-se todos, imediatamente !Aquele homem traz consigo material considerado altamente periculoso em matéria de influência e delírio imitativo, fazendo todas as tenções de o usar !
Do seu pequeno e gasto saco de lona consegue messo vislumbrar-se o nome de Fernando Pessoa e Eugénio de Andrade e há quem sustente ter visto ,também, um volume que sugeria a Poesia Toda de Herberto Hélder
exageros obsessivos e afirmações pulsivas






este tema é o melhor que ouvi nos últimos meses.proclamei-o hino pessoal.elliot smith canta os belíssimos versos, que me atingem de uma forma muito especial e certeira.

everything means nothing to me

someone found the future as a statue in a fountain at
attention looking backward in a pool of water wishes with
a blue songbird on his shoulder who keeps singing over everything
everything means nothing to me
everything means nothing to me
everything means nothing to me
i picked up the song and found my picture in the paper the
reflection in the water showed an iron man still trying to
salute people from a time when he was everything he's supposed to be
everything means nothing to me
everything means nothing to me
everything means nothing to me
everything means nothing to me



p.s e acordei-me de um verso pessoano,tragédia pessoal de andar no bolso que dizia e em nada existo como a treva fria.
para quando a colheita do abismo?

rené char

não é impossível à árvore ser mar
trazer nos lábios mais que seiva.
não podem é os pássaros fazer asas
de papel rasgado
ou pupilas azuis do homem que os matasse.

as mulheres atravessam a árvore e sabem
por isso quando chegam a casa acendem o lume
e fecham os ventres.

chega assim o tempo de crescerem os frutos
apertadamente longínquos na escura saliva
até que os leve a árvore
para a boca da terra.

blues

a música varre qualquer estação da janela.
e o blues muito mais.
o blues conjuga o outono e o verão em dois passos.
um passo para frente é o verão. um passo para trás é o outono.
está tudo no blues.
blues


nestes últimos tempos, virei me por completo para os blues.
a música do b b king, do john lee hooker, muddy waters, e tantos outros são algumas das paragens imprescindíveis deste blue highway.
a saudade é um músculo do coração que trabalha sozinho. não sei se é um músculo que nos fortalece ou nos enfraquece. de qualquer modo, melhor saudade do que nada.
o meu domingo está a sofrer de identidade. não quer ser domingo. quer ser uma feira qualquer da semana. o domingo quer uma quinta.
a noite dela


hi!


(hey ale, repara só nos sapatos...)
Mississippi

o meu walkman está bêbedo com tanto blues.
walkin'
the
blues.

última hora


já está confirmado que a taça do Euro 2004 é milagrosa. agora sim, entende-se esta fome de querer vencer por parte da selecção de portugal. claro,óbvio, obviamente e nem é preciso perguntar. é assim mesmo: os pobres vão ficar ricos.os hospitais vão virar desertos.os desempregados não vão ficar desempregados ...bendita e santa taça!
o lume

deixei as outras vozes abandonadas numa folha qualquer. as palavras não dançam aqui. aqui dançam sós, perdidas, parecendo meros peixes de um oceano enorme. quero esquecer que toda esta massa de palavras precisa de ser levada ao lume. não vou fazer a mão nem me vou dar ao trabalho de retirar adjectivos, nem substantivos de toda uma panela que pode se chamar texto. coloca tudo o que bem entenderes dentro dela. e antes de ser servido, vais voltar a cortar ainda mais. agora faz o como do dizer.
surpreende!
1857

um século mais tarde , seria o ano do sputnik.essa data tenho na minha epiderme desde infância , ou não fora eu uma desaventurada criança nos entremeios de uma família suspirosamente marxista...


anos mais tarde , é 1857 a minha data referência, ano capital da literatura novencentista com a publicação de Madame Bovary , de Flaubert e Les Fleurs du Mal, Baudelaire.de referir que no Brasil é igualmente a data de publicação de O Guarani, de José de Alencar.
happiness.com


domingo de manhã, acordada antes da haver sequer barulho na cidade,o cinzento dá lugar ao belíssimo dia de sol que agora avisto ,a maresia aparece generosa.
se além de tudo o café estava especialmente bom enquanto ouço a billie,minha adorada billie, então isso é algo estranhamente parecido com alegria.ousarei dizer felicidade?
flaubertomania dominical


1) Consumismo



de Mario Vargas Llosa L´Orgie Perpétuelle, Flaubert et Madame Bovary


2)Sermão Dominical

Flaubert écrit à Louise Colet : l’écriture est la moins mensongère de toutes les choses mensongères

3)O rosto




4)Auto-Canibalismo?




Flaubert dissecando Madame Bovary




5) só para muito viciados , mesmo !


este é um manuscrito de madame bovary, diz respeito à educação da própria e respectivas leituras juvenis:

e assim reza a lenda

uma viagem metaliterária ao mundo da novela jojó



era já noite, alta noite poderia dizer-se, quando o telefone interrompeu o silêncio penumbroso da casa.olho-o demoradamente( modelo Telecom 1989)enquanto estridula ruidosamente como se precisasse de ser salvo de um estrangulamnto.o ruído torna-se insuportável ,vencendo assim a minha indolência.
levanto o auscultador.

_ ale?
_oui, c´est moi...( neurose antiga, culpa do mundo nefasto da publicidade)
_é o jojó , lembra-se de mim?
_mas é claro que sim,respondo com voz amarga e reveladora de uma displicência muito frequente entre os criadores de personagens ante suas criaturas.

_ estive várias horas decidindo se lhe telefonaria...não sei o que dizem os mandamentos novelísticos, não sei até onde pode ir a autonomia de uma personagem,sobretudo quando deseja contactar a sua autora...
_ não me chame de autora.chame-me de criadora, por favor.eu sou contra esta autonomização de personagens, os criadores foram reduzidos a meros professores pardais do papel,a meros delegados da fantasia ,ninguém quer saber do autor, do criador,bando de estruturalistas mal -amados..grgrgr , que nervos ...mas afinal por que me telefonou , jojó ?

ao longe ouvia-se uma voz arrastadamete melancólica,manifestando a inconfundível tristeza ociosa de billie holiday em autumn in new york.jojó deve estar a mexer com seu dedo indicador o gelo no copo de jack daniells.de repente fico muito irritada cria-se uma personagem incompetente de mordomo , agora promovida a detective deleitando-se pela nova iorque dourada dos anos 50 enquanto a nós nos resta uma estada provisória neste jardim à beira - mar plantado.
mas continuemos.
neste momento jojó aduz das imperiosas razões que o levaram a estabelecer contacto telefónico .

_ cara criadora, lembra-se de lola , a incrível mulher bolero?
_sim, lembro...
_é que ...bem...há muitos dias que não me escreve,e eu , bem , eu ...nas minhas noites solitárias vagueando entre a névoa urbana da big apple, ao escutar sam e seus blues ...sinto-me muito saudoso de lola...na verdade , o que eu queria era pedir-lhe o meu próximo capítulo com lola , a mulher bolero.
_mas o que é isto????agora quer se tornar autor da minha história??já lhe disse , é uma personagem e nada mais que uma personagem.além disso, eu estou em crise,sabia?em CRISE!isso pode custar-lhe caro, caríssimo jojó.quem sabe até mesmo o total olvido.que me diz a isso???
_não,por favor,isso não!!!!!!!!!eu gosto tanto de ser detective gabardinesco e uisquicamente poético!
_então cala-se , antes que eu faça regressar madame, a terrível do submundo das personagens abandonadas com o belo e único propósito de o fazer regressar à condição mordomística, are we clear?

do outro lado não ouvi mais que um sim,murmurante e piegosamente chorado .pergunto a rick,o homem das barbatanas amarelas:

_ é para isto que empenho eu minhas jubilosas horas ao sacrífico votivo da escrita???


( p.s. the crisis must go on )

6/23/2004

pc moment of the day

tudo na vida deveria ser assim:encravou,desandou,restart e tudo fica bem de novo.

6/20/2004

grande jogo!!!!!!!! parabéns portugal!!!!!!

6/19/2004

A guerra ibérica da alegria



6/18/2004

O Mundo

Num blog, como em qualquer outro acto de criação, sobretudo num blog de cariz mais pessoal e intimista como este, a tentação é voltar lá muitas vezes. Continuem! E mais do que um ano. :-)
As torneiras continuam online, no entanto

já não há pingo doce online.
Pergunta fora da prateleira

No Brasil a febre em redor do orkut ainda continua. porém, não vejo ninguém a perguntar, apesar das matérias que leio nos jornais, onde é que vai parar o big brother orkutiano? e depois? O que vem depois do pós-orkut?
O Blogger precisa de uma constituição urgentemente! Isto não pode ser uma anarquia!!


A nossa lista de blogues foi simplesmente surripiada.vejam aqui. a quem as torneiras de freud podem apresentar queixa? sim,sim. porque isto não pode ficar assim. o que vem a seguir? vai ser necessário guardar a memória em caixa-forte e colocar os metralhas à entrada?

6/17/2004

extra-extra


se você era daquelas que tinha perdido todas as esperanças depois do real casório de filipe,esta pode ser a solução à sua medida.chegou o MARIDO VIRTUAL .
conclusão: o meu computador tem o blues em si.
diálogo no-on-line

2 on-line:
1 on-line:
2 on-line:
1 on-line:
2 on-line:

verdade mais fresca que um solero

a ale já está tão viciada em ouvir rádio que já não quer mais nada.
não vale desdizer o que digo eheh.
bem a ale já está em sintonia com dark spirit in a candle . e a nebia está numa rádio japonesa a ouvir blues.
verdades incontestáveis

em altura de verão quente ,concluo que um pc pode ser uma força de bloqueio .
a rádio

é só mais uma obsessão. aqui já não há brrrzzzzz nem as curvas da estrada para dar marcha atrás nem voltas contrárias nem colagens às músicas da rádio. há só a grande onomatopeia click em acção, passando marcando por quase todas palavras indicando som de rádio. aqui não há fronteira a dizer quase logo que a língua é outra. há uma auto-estrada onde se pode ouvir uma rádio japonesa, francesa, italiana, inglesa, irlandesa...
estou a ouvir uma rádio londrina, será que estou em londres?




desabafo alfabético



hsjdhfuerf ajwsliwuqehyoiu ajhdkawuhye
(em que local das pálpebras se alojam os acidentes que só sentimos?)
A casa

Tenho flores brancas na mesa ,quase mortas, talvez mesmo mortas, e não lhes sei o nome. Não gosto de flores ou vasos em casa, da sua mudez testemunhal, das sombras a ganharem as paredes.
Mas o que mais me inquieta na casa são porventura as janelas que me ausentam, me exteriorizam, e onde ,por vezes, sem contar , se antecipa o meu rosto à paisagem.
Solução.
A casa girando na pele, na saliva.
A casa onde entro e deito, onde quase esqueço .Abotoei –me esta casa como uma árvore caindo na sua seiva .E também as sombras que por mim passam ,lentas, prematuras.
Soluço. Talvez arrepio .
Sou o estado da casa, o cheiro de quem já a cruzou , de quem nela se sentou , caiu. Sou eu o silêncio da casa e sua maneira enviesada de se abrir e esconder. Quem por ela passa pisa-me.
Dos meus olhos crescem as paredes a sustentar a casa.O seu susto .Fixidez. Permanência.O que de mim não parte, não se ausenta .Cheiro.
Tão surda como a tua voz onde não soluça o meu nome.
Não sei onde se esconde tanto vazio,se na cama onde não mais te deitarás ou nos olhos gastos de de te chamar.
Pó.
Corpo inquieto ,arrastando poros, desejos.O que queima ,o que resulta? Há bonecas de olhos fundos ,antigas como a infância que não mais se recorda, bonecas irreais e muito mais vivas que eu, mas nesse quarto eu já não entro.
Som.
Tenho passos cheios de ossos e os ossos fogem ao caminho.
Dentro da casa tudo é longe e ausente e exterior. Dentro da casa apenas a casa dentro de nós.
Quem terá trancado tantos rostos nas fotografias? Fotografias repetidas, rostos ,os mesmos rostos e eu neles, acontecendo .mas não sobram mais rostos nos espelhos e há tantos pela casa.
Espelhos de vazio , ou só sombra, ou só silêncio ,ou o meu rosto apagando-se.
Assim eu me esvazio ,osso depois de osso .
Fechem as janelas que estou dentro do que sou .

6/16/2004

falta a cantiga de roda



ontem um grupo de holandeses contava me que estão dispostos a fazer a volta a portugal em bicicleta. calculo que seja uma volta pelo litoral do nosso país. descem o porto até ao algarve e voltam a subir. é uma festa. os adeptos dos outros países (não vejo a inglaterra a topar muito, mas nunca se sabe...)bem que podiam se juntar a eles. e fariam assim uma grande volta. mais interessante seria se essa volta ganhasse mais adepto. e esses adeptos tivessem a ideia de jogar à bola. e

6/15/2004

Se

se o meu teclado fosse um animal marinho, seria um polvo. às vezes penso que estas teclas pretas são tentáculos minúsculos implantados nas fundezas e que têm uma força olímpica para prender os meus dedos durante muito tempo aqui.
bonnie y clyde do nosso tempo


hoje bonnie y clyde não assaltaria um banco, mas sim as prateleiras de dvds da fnac francesa, madrilena e londrina. e levariam dentro de sacos os godards, os tarkovskys, os bergmans,os antonionis, entre outros. depois fariam cópia e mais cópia e mais cópia desses dvds e montariam barraca nas feiras e seriam um sucesso de vendas, com um preço de chuva.



(ideia a colocar em prática pra fazer alguma coisa pelo cinema de dvd...)
associação de ideias

um amigo indicou-me agora mesmo um blogue fresquinho. o que estou a ler da associação de ideias do João Paulo Cotrim, o ex-director da bedeteca de lisboa, é bem interessante. voltarei lá, é certo.
euro mais dois (matemática e fé)

já compraram a vossa calculadora?
acho que vai ser necessário especialmente para este Euro 2004.
foi uma falha no kit de promoção, é só isso.

6/11/2004

o pleno nas varandas



a epidemia das bandeiras de Portugal já chegou a casa oriental.
para a mana doudinha

olha só o que voltei a encontrar. um video que há muito querias voltar a ver.


o canal a dois vai transmitir à 01:00 h, amanhã, um concerto da P.J. Harvey.
a polly jean harvey sonha com um mundo com

With no neurosis
No psychosis
No psychoanalysis
And no sadness

6/10/2004

amanhã e hoje


estou onde não devia estar
al berto todo um poeta sempre


não há um verão que não passe e não passe os meus dedos pelo "O Medo" de al berto. a ale escreveu um poema lindíssimo " à voz de al berto"( uns posts mais abaixo) e agora nao consigo parar de dizer que al berto é um dos poetas que mais me marcou, se não é o que mais me marcou. é mais uma obsessão a sua poesia.

al berto tinha muitas obsessões. uma delas era o tempo. a constante pergunta obsessiva sobre o tempo.


"agarramo-nos à memória um do outro
o tempo é coisa que não existe mais."

"aceito como único corpo aquele que não cresceu dos relógios do mundo"

"o tempo foi sempre a minha ruína".

al berto


a pluma caprichosa

há poemas que nos salva. no meu tempo de faculdade pedi tantas vezes emprestado ao Al Berto palavras. há pessoas que nos dão a conhecer poemas e poetas. a Ale deu-me a conhecer vários como outros amigos. a Clara Ferreira Alves deu me a conhecer um poema que, em certos momentos, leio. este do Alexandre O´Neill, A Pluma Caprichosa.

E o destino passa por mim como uma pluma caprichosa
passa pelos olhos dum gato
como o avião passa no céu do camponês
como a cidade passa pelo convalescente
que sai pela primeira vez
Nos olhos da mulher que não perdi nem ganhei
Nos olhos que durante um segundo me compreenderam
e amaram
na sua ternura quase insuportável
O destino passa
No amigo que é lentamente puxado para o outro lado
da razão
e um dia mergulha na sombra que trazia em si por
resolver
o destino cumpre-se e passa
na praia nocturna que as ondas visitam e deixam
como as imagens que sem cessar me assaltam e
abandonam
na espuma que esmago contra a areia muito fina
na mulher que me acompanha e comigo se perde na
noite
nos soluços de luz verde que um farol nos envia
o destino detém-se e passa
Na inesperada hora de felicidade
Vivida um pouco a medo
Como os amantes quando percorrem as ruas desertas
dum jardim
Um pouco a medo
Como a breve noite de amor em que um homem se
encontra e refugia
O destino demora-se e passa
Estou onde não devia estar
Mas basta
basta
basta (...)

colagem de fim-de tarde

(r)


como o sal , o sabor.
como o mar ,a escuta.
tua boca .
exercício da partida

depois dos rostos
iniciar a memória
esperar que nos console
o ombro onde adormeceremos
o som da casa


penumbra,todo um corpo,
ou medo,tudo o que fosse dito.

o riso

no meio da praça da igreja,uma mulher de roupas andrajosas ria carnavalescamente.achei aquele o mais inteiro riso que escutei,capaz de se rir até da própria morte.
as pessoas caminhavam num passo curtinho e baixavam as cabeças,lamentando-se é louca .

não mais esquecerei aquele riso e a sua inteireza,tão consciente.
À voz de Al Berto

( eu tive medo, mesmo muito medo, e fiquei quietinha a ver o que me trazias)

Estendi –me no leito
como um quase mapa pelos teus dedos
e fiquei à espera de ser visível .

Trouxe barcos, quimeras, terras onde o fogo desce ao céu
E a manhã anterior à melancolia .
Trouxe heróis de peito aberto e muito branco
tudo
tendo o teu mar na veia mais erecta.

Assim me aquieto ouvindo-te dizer
a arte de anoitecer
no avesso do coração .

às vezes somos um deserto


e um poema povoa-nos.obrigada ,rui almeida,por me dares o desnos ...
hipótese 1.


acordou com uma imagem colada nas costas.mãe , chamou ela, o que é que eu tenho colado nas costas?nada,foi a resposta que não a convenceu.
tentou um espelho,mas achou que também ali haveria uma impossibilidade contornável.saiu e estranhou a facilidade com que a camisola se entregara ao corpo no momento de se vestir.
procurou um amigo.chegou a casa e despiu -se à frente dele.muito levemente,num sussurro de peles, ele disse que imagem alguma estava nas suas costas.e ela chorou.
na rua ,procurava nos rostos alheios sinais da sua estranha imagem nas costas,mas um só silêncio à sua passagem negava-lhe a evidência do que ela queria confirmar.
o dia esgotou-se e ela sentia-se cansada.alguém precisava de lhe dizer que havia uma imagem nas suas costas.
perto do rio havia gaivotas.saiu dali rapidamente e ,da ponte que se podia ver da janela do seu quarto, resolveu usar as asas da imagem que nas suas costas ninguém tinha visto.nem mesmo ela.
uma desencontrada rasura de manifesto em cinco conjunções

( para a despedida de si)
´

copulativa:duas pessoas durante a noite são um mapa cheio de lugares secretos.
um instante que a manhã se encarrega de perder em jornais,chamados e rotinas,como tudo que não pode ser sublime.

adversativa:encenar tanto que todas as palavras se tornassem verdade,era o que se tornava preciso e impossível.

causal:quem pode sustentar o mundo com verdades?patetas.patetas e apóstolos, todos.
todos os rostos que perderás,lembra-os,mas
não fiques,não permaneças,não insistas.nem sequer por isso , por eles.
permite-te apenas errar, até que o erro seja perfeito e perfeitamente repetível.

final:vê tudo que vais deixar e abandona-te.
será então hora de gritar até seres poço no teu pulmão e chuva caindo nele.
conclusiva: fui embora.ouviste-me? já parti .
há muito que deixei apenas o espelho onde te olhas.
fica.não estarei mais contigo.
o que eu sou não gosta de ti,ou de mim ,tanto faz.

6/06/2004

uma quase dança( ou um post aldeia da roupa branca)



da janela avisto o vento que ondula as roupas suburbanamente estendidas em estendais de domingo.uma semana pode contar-se pela roupa nos estendais e domingo é sempre dia de fartura.
ao fim da tarde, as mulheres vêm apanhar a roupa estendia pela manhã.
gosto muito destes gestos anscestrais e destas mulheres quase guindastes,quase hastes de flor antes de quebrar, alçando seus braços para lá do limite das varandas,abraçando as roupas que colhem numa destreza exclusivamente feminina.

e ficaram apenas dois lençóis brancos numa ousadia de gaivota ,até que o vento ou a noite lhes ditem a recolha.
slogans pouco digestivos


aderindo à causa do MNPDP( MOVIMENTO NACIONAL PELADECÊNCIA PSÍQUICA), o MPPCTA( MOVIMENTO PELA PRESERVAÇÃO das CULTURAS TRADICIONAIS AFRICANAS) saiu para às ruas entoando o cântico :

NO MORE PSI
XAMANISM IS THE KEY
psicotalking

_Costumas andar de bicicleta?
_não, faz anos que não ando.por que perguntas?
_por nada ...
_ok.
_bem , na verdade há uma razão...
_então diz!
_mas é uma confissão...
_ai! sabes que não gosto de confissões, mas diz lá.
_ontem , ia numa recta ...dia azul , sol forte.ao longe avisto um ciclista.acelero e dou-me conta que o quero atropelar.não o faço,mas essa foi a minha vontade.
_ouve lá ,cala -te imediatamente !estás loucoou quê??'cala-te e desaparece!



Senhor cidadão,

Este é um comunicado importante , leia-o atentamente.
A situação acima retratada é um flagelo que tem assolado a sociedade portuguesa de uma forma perniciosa.
de há uns anos para cá,em função da carestia de profissionais da análise a preços praticáveis , muitos dos nossos cidadãos têm recorrido aos seus entes queridos ,revelando-lhes o irrevelável.
Esta situação tem de ser denunciada e deve ser eficaz e veementemente combatida.
Ainda que isentos de dolo , os nossos cidadão têm de refrear seus impulsos confessionários e reservá-los para os divãs dos psis.
Os cidadãos psiquicamente equilibrados deste país não podem ser vitimizados pelo desiquilíbrio alheio.Chega de contemplações com esta situação calamitosa.
Confessar ou revelar os recônditos recantos de nossa psique é um acto de exibicionismo mental que atenta contra a moral psíquica do país!

Senhor cidadão,se já foi vítima desta forma de exploração ,se tem conhecimento de alguém que esteja a sofrer este tipo de subjugação ,então contacte -nos com urgência .a sua denúncia é importante!



MNPDP( MOVIMENTO NACIONAL PELA DECÊNCIA PSÍQUICA)
uma desencontrada rasura de manifesto em cinco conjunções

( para a despedida de si)


copulativa:duas pessoas durante a noite são um mapa cheio de lugares secretos.
um instante que a manhã se encarrega de perder em jornais,chamados e rotinas,como tudo que não pode ser sublime.

adversativa
:encenar tanto que todas as palavras se tornassem verdade,era o que se tornava preciso e impossível.

causal
:quem pode sustentar o mundo com verdades?patetas.patetas e apóstolos, todos.
todos os rostos que perderás,lembra-os,mas
não fiques,não permaneças,não insistas.nem sequer por isso , por eles.
permite-te apenas errar, até que o erro seja perfeito e perfeitamente repetível.

final
:vê tudo que vais deixar e abandona-te.
será então hora de gritar até seres poço no teu pulmão e chuva caindo nele.
conclusiva: fui embora.ouviste-me? já parti .
há muito que deixei apenas o espelho onde te olhas.
fica.não estarei mais contigo.
o que eu sou não gosta de ti,ou de mim ,tanto faz.

6/05/2004

alguém, por favor, me explica onde foi parar a britcom?????
eis-me!!!!!!!!!




Faça você também Que
gênio-louco é você?
Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia


6/04/2004

à margem da história


personagem cansou-se da ficção. e encontra-se neste momento a descansar fora da linha.
depois de ler viva os colorantes,corantes e glutamatos de sódio!


No livro Leviathan de Paul Auster a personagem Maria Turner tem cada ritual mais doudo. fiquei a saber há pouco tempo, por uma amiga orkutiana, que Paul Auster se baseiou no trabalho da artista Sophie Calle para criar esta personagem.
por exemplo, a ideia da dieta, esta:
2ªfeira-alimentos cor de laranja(camarão cozido, cenouras);
3ªfeira-vermelho(dióspiros,bife );
4ªfeira-brancos(batatas,queijo fresco);
5ªfeira-verde(bróculos,espinafres);
......
foi também uma das ideias que Calle adptou e transformou para criar " The Chromatic Diet",1998.
neste momento, a minha conversa de snack-bar


com orkut ganhei uma caixa de correio mais cheia, primeiro. então, uma amiga brasileira escreve-me e conta-me sobre as estreias dos filmes brasileiros por lá; um amigo espanhol escreve -me e envia-me músicas da sua banda; um amigo dinamarquês escreve-me e fala-me do seu país; uma amiga portuguesa escreve-me e fala-de coisas tão interessantes; etc etc

o que é curioso, o que me deixou banzada nesta semana foi um postal que recebi de uma amiga que não vejo há muitos anos. como um olá pode ser uma autêntica surpresa. uma boa surpresa.
simplificador

outono é outono e mar. inverno é inverno e mar. primavera é primavera e mar. verão é mar e mar e mar e mar e mar



outro génio,Lee Hazlewood



Summer wine

Female:
Strawberries, cherries and an angel's kiss in spring.
My summer wine is really made from all these things.

Male:
I walked in town on silver spurs that jingled to.
A song that I had only sang to just a few.
She saw my silver spurs and said let's pass some time.
And I will give to you summer wine.
Ohh-oh-oh summer wine.

Female:
Strawberries, cherries and an angel's kiss in spring.
My summer wine is really made from all these things.
Take off your silver spurs and and help me pass the time.
And I will give to you summer wine.
Ohh-oh-oh summer wine.

Male:
My eyes grew heavy and my lips they could not speak.
I tried to get up but I couldn't find my feet.
She reassured me with an unfamiliar line.
And then she gave to me more summer wine.
Ohh-oh-oh summer wine.

Female:
Strawberries, cherries and an angel's kiss in spring.
My summer wine is really made from all these things.
Take off your silver spurs and and help me pass the time.
And I will give to you summer wine.
Mmm-mm summer wine.

Male:
When I woke up the sun was shining in my eyes.
My silver spurs were gone, my head felt twice its size.
She took my silver spurs, a dollar and a dime.
And left me cravin' for more summer wine.
Ohh-oh-oh summer wine.

Female:
Strawberries, cherries and an angel's kiss in spring.
My summer wine is really made from all these things.
Take off your silver spurs and and help me pass the time.
And I will give to you summer wine.
Mmm-mm summer wine.


Lee Hazlewood
Que génio louco é você?

Fiz o teste que está na bomba inteligente que está no bdE e saiu-me o Dalí. eina! eu deste teste gostei.





Faça você também Que
gênio-louco é você?
Uma criação de O Mundo Insano da Abyssinia


6/03/2004

verdades provisórios e juízos metafísicos em automatismo verbal


o verão irrita-me.
em paris chove e eu não estou em paris.
o grau de riqueza de uma nação é directamente mensurável pelo grau de destruição infligido ao planeta.a portugal resta-nos a esperança de acabar com o bacalhau.
o verão, outra vez.faço este texto por poluição verbal.


viva os colorantes,corantes e glutamatos de sódio!não posso mais ouvir falar de healthy food,health club,healthy life style...
acabo de definir o meu estilo culinário ,facto que me tranquilizou por vários dias:nouvelle caotic cuisinne.

acabo de saber que tudo que mais preciso são definições,conceitos e teorias perfeitinhas e acabadas,nem que durem cinco minutos.ou sobretudo se durarem cinco minutos.
ontem decidi que passei a acreditar em et´s,cd`s e lp´s.e de decisão em decisão tropeço cada vez mais longe de mim.
preciso de um manifesto.de um achado.de um grito exacto.de uma despedida.do fim do verão , de uma dança .preciso de um poema que não me encontra.

eu tinha um pinguim , um peluche pinguim e passei a ter pesadelos com ele.no meu sonho ele chama-se mr.ilogic e diz : there´s no such thing as happiness,dear.debaixo do braço ele acarreta o oxford student`s dictionary e todas as folhas têm apenas a entrada « happiness».


p.s. há vestidos vermelhos a abandonarem corpos nas minhas pupilas.




Moon

Parece que deu sorte. há alguns meses atrás deixei aqui a letra The Scientist Writes a Letter de Tom Verlaine e nem em sonhos pensava em ver os Television ao vivo. Eles vão estar em Serralves já neste sábado. Hey Tom, don´t forget! "Marquee Moon"!


Elevation

Life hurt, one last word, one lost word,
Why don't you say so, say so?
I sleep light on these shores tonight, I live light on these shores.
Elevation, don't go to my head.

Now you give me no trouble and you give me no help,
It is the clown(?) that works so well.
I sleep light on these shores tonight, I live light on these shores.
Elevation, don't go to my head.

Our lips are sealed, our breath is burning,
These cold wild seas have left us turning.
But I sleep light on these shores tonight, I live light on these shores.
Elevation, don't go to my head.

Tom Verlaine



6/01/2004

jojó contará

(....uma rosa-dos-ventos com ou sem agulhas cegas...)